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"Vocação de Portugalidade"

 

 

A Fundação Lusíada :: Mensagens


2017 Junho

“Nos meados do séc. XIX surge em França o Positivismo. Este movimento cultural, contraditório do pensamento iluminista, pode bem qualificar-se como uma nova Escolástica, mas sem Fé, e mais se explica que já alguém, entre nós, o definisse como o “culto da ignorância”.

Com efeito, avaliados hoje os seus resultados, não oferece dúvidas, que o positivismo, se bem que pretendesse fomentar a industria, a técnica e a respectiva ciência, tem por fim estabelecer a ignorância nos domínios da religião, das artes, e da filosofia, fim este que decorre necessariamente da formulação da lei dos três estados.

Com efeito (no campo da educação e instrução) é ao positivismo que devemos este desgraçado sistema de instrução pública, que pretende uniformizar, numa utópica e ucrónica igualdade o homem e a mulher, absurdo perante o qual é impossível instituir a família.

Apreciamos erradamente o nosso sistema de ensino público todas as vezes que o comparamos com os sistemas estrangeiros. Quando porém, relacionarmos a nossa pedagogia com a nossa filosofia, veremos desenvolverem-se as aptidões mentais e os valores éticos do nosso povo de uma forma que causará assombro a todo mundo”.

Francisco Sottomayor
Dispersos de Ensaio de Filosofia Portuguesa
Edições Fundação Lusíada – 1991


2017 Maio

Centenário das Aparições em Fátima
1917 - 2017

 

E nos Céus apareceu uma
“SENHORA MAIS BRANCA QUE A LUZ”

Guardai-nos Senhora
Rainha dos Céus,
Celeste Pastora
Do Povo de DEUS

Virgem  Mãe, Filha sois do Vosso Filho,
De toda a criatura a mais excelsa,
Humilde sois estrela de alto brilho.

Tão pura entre os humanos haveis sido,
Que o mesmo Criador em Vosso seio
Não desdenhou ser Homem concebido.

Vós sóis, Senhora, a luz que nos alcança
Ventura e caridade entre os mortais,
Vós sóis a fonte vida da esperança.

Senhora, sóis de tão grande poder,
Que desejar sem Vós divinas graças
É qual querer voar, sem asas ter.

Em Vós misericórdia, em Vós Piedade
Em Vós magnificência, em Vós se encontra
Quanto nas Criaturas é bondade.

Por Vossa muita graça e protecção
Guiai os nossos passos no caminho
Senhora, que nos leve à Salvação.


Liturgia das Horas


2017 Abril

“A prova de que a TV não pretende realizar uma obra de cultura e aperfeiçoamento espiritual da humanidade, é a situação subordinada em que nela se encontram os artistas, os escritores, os pensadores.

Enquanto o Estado e a Igreja não tomarem a decisão solicitada de que seja entregue, aos artistas, aos escritores e aos pensadores, a direcção da imprensa, da rádio, da televisão e do cinema, enquanto essas forças sociais estiverem entregues aos engenheiros, aos economistas e aos financeiros, quase todos manifestando ressentimento contra os obreiros do espírito, estas forças continuarão a ser as forças ao serviço do espírito do mal, que actua por intermédio do dinheiro”.

Francisco Sottomayor

Dispersos de Ensaio de Filosofia Portuguesa
Edições Fundação Lusíada – 1991


2017 Março

O patriotismo emocional é um fogo de palha, que ora se inflama à matéria de um efeito desportivo, ora se afunda por completo ao aceitar sem um assomo de resistência as leis, os actos de governação, as propostas políticas, culturais ou estéticas mais radicalmente avessas aos interesses nacionais, à vontade de regeneração segundo a identidade portuguesa às traves mestras da nossa estrutura cultural.

O patriotismo familiar, habitual e espontâneo não é suficiente para fundamentar uma convicção patriótica resistente, coerente é à prova de todos os desafios exteriores, modos e ideologias deformadoras.
Ele exige na verdade, ao seu nível e para além dele, a religação áquilo a que poderíamos chamar o patriotismo nacional de elites conscientes do significado dos valores que nele se representam.

A comunhão colectiva do patriotismo, para não degenerar em fanatismo, em psicologia de rebanho, ou em vacuidade sentimental à flor da pele, depende da capacidade intelectual de uma geração para formular a sua própria patriosofia.

Religação a um centro axiológico, intelectual e criacionista do qual derivam, como em círculos que se esbatem quanto mais dele se afastam, as formas mais ou menos despertas de tal convicção.

O que na realidade se esbateu ou desapareceu quase por completo entre nós, não foi o patriotismo emocional que, por ser insuficiente, é muitas vezes manipulado por ideologias e demagogos de má-fé, foi a relação fundamental da “substância”, e dos “princípios” da identidade pátria com a sua “razão teleológica” em movimento, relação que um dia corporizou no “projecto áureo português”, centro vital e motor da tradição lusíada, e que aguarda a reactivação ou a renovação sempre possíveis desde que se cumpram as imprescindíveis condições.

António Quadros
In “Portugal, Razão e Mistério


2017 Fevereiro

A razão de Portugal, a razão de ser de Portugal, é antes de tudo – uma Razão Teleológica, isto é: uma razão aberta para com um “Telos”, ou um fim, que é a justificação última do seu movimento no Tempo e no destino.

O “Telos”, no conceito mais exigente e profundo da filosofia portuguesa da história, é um “Eschaton”, um fim último e por isso um Camões, ou um Vieira, um Bruno, um Pessoa, um Pascoaes, um Agostinho da Silva, ou um Álvaro Ribeiro, não podem circunscrever-se em sua visão e teoria, aos fins limitados e medíocres que, segundo as filosofias reducionistas, teriam ordenado a nossa razão histórica para a acção e para o futuro.

Ao contrário, é sua convicção, dita de várias maneiras, que o povo português, formando no conjunto e na hierarquia intelectual dos seus extractos a nação portuguesa, teve um projecto, ou melhor, guarda nos seus arcanos, no seu inconsciente arcaico, na cifra da sua língua e cultura, na sua memória inconsciente, no seu imaginário, no seu pensamento implícito e por vezes explicito, um projecto, a que chamamos um projecto “aureo” de realização da humanidade”.

António Quadros
In Portugal, Razão e Mistério


2017 Janeiro

“As nações todas são mistérios
Cada uma é todo o mundo a sós”

Fernando Pessoa
In Mensagem

“A cada Povo é proposto um ideal diferente
De realização de humanidade”.

Álvaro Ribeiro
In Escola Formal

“A razão de Portugal, a “razão de ser” deste país antigo encontra-se envolta na mais densa bruma. Tornou-se um mistério, ou é um mistério?

Emergência da nação lusíada, seu destino inesperadamente fulgurante, seu projecto áureo, sua persistente resistência à adversidade, sua longa e relutante decadência, seus mitos de regeneração, suas obras de génio, suas estrelas cintilantes, e dir-se-ia que proféticas no crepúsculo, tudo é hoje interpretado casualmente a partir de teorias da história opacas, diminutivas, reducionistas, que no fundo espelham o dominante espírito empecido da nossa época positivista, materialista, utilitarista”

António Quadros
In “Portugal, Razão e Mistério”


2016 Dezembro

Recordando e homenageando
Sebastião Artur Cardoso da Gama
(1924-1952)

Meu País Desgraçado

Meu país desgraçado!…
E no entanto há Sol a cada canto
e não há Mar tão lindo noutro lado.
Nem há Céu mais alegre do que o nosso,
nem pássaros, nem águas…

Meu país desgraçado!…
Porque fatal engano?
Que malévolos crimes
teus direitos de berço violaram?

Meu Povo
de cabeça pendida, mãos caídas,
de olhos sem fé
— busca, dentro de ti, fora de ti, aonde
a causa da miséria se te esconde.

E em nome dos direitos
que te deram a Terra, o Sol, o Mar,
fere-a sem dó
com o lume do teu antigo olhar.

Alevanta-te, Povo!
Ah!, visses tu, nos olhos das mulheres,
a calada censura
que te reclama filhos mais robustos!

Povo anémico e triste,
meu Pedro Sem sem forças, sem haveres!
— olha a censura muda das mulheres!
Vai-te de novo ao Mar!
Reganha tuas barcas, tuas forças
e o direito de amar e fecundar
as que só por Amor te não desprezam!

 

In “Cabo da Boa Esperança”
Sebastião da Gama


2016 Novembro

O LONGO SONO

Depois da tempestade
o longo sono.
Os tributos. A fome.
E o estrangeiro por dono
deste país que já não tem no nome
a independência da palavra liberdade.

In “O Canto e as Armas”
Manuel Alegre


2016 Outubro

E em mês de vindimas há que pensar no Douro – no seu excelso vinho – e num dos seus maiores poetas:

Adolfo Correia da Rocha

que em 2 de Outubro de 1961 escreveu esta invocação poética a S. Leonardo de Galafura.

À proa dum navio de penedos,
A navegar num doce mar de mosto,
Capitão no seu posto
De comando,
S. Leonardo vai sulcando
As ondas
Da eternidade,
Sem pressa de chegar ao seu destino.
Ancorado e feliz no cais humano,
É num antecipado desengano
Que ruma em direcção ao cais divino.

Lá não terá socalcos
Nem vinhedos
Na menina dos olhos deslumbrados;
Doiros desaguados
Serão charcos de luz
Envelhecida;
Rasos, todos os montes
Deixarão prolongar os horizontes
Até onde se extinga a cor da vida.

Por isso, é devagar que se aproxima
Da bem-aventurança.
É lentamente que o Rabelo avança.
Debaixo dos seus pés de marinheiro.
E cada hora a mais que gasta no caminho
É um sorvo a mais de cheiro
A terra e a rosmaninho.

Miguel Torga


2016 Setembro

“Naquele tempo – tempo de aurora
fazíamos perguntas às estrelas
e as estrelas perguntavam às velas
{das insensatas caravelas:

“Que ventos quereis levar?
Quereis os ventos da terra
ou quereis os ventos do mar?”

- Só os ventos, Pedrálvares, os ventos
de navegar – pois
navegar navegando é nosso fado e nosso cio”.

 

Gerardo Mello Mourão
em “Invenção do Mar”  (pág. 39)


2016 Agosto

“Era uma vez o Capitão Mar
e era uma vez o Capitão da Terra:
Não resta ao homem mais que o mar e a terra.

Ontem eram as águas, onde, espuma,
a inumerável solidão do mar,
o sal, o vento, os uivos, a tormenta.

Hoje a selva, o sertão, a escarpa, a rocha,
a inumerável solidão da terra
e a seta envenenada nas tocaias.

Cada homem do mar está sozinho
Navega em sua nau seu próprio mar
sem dividir seus medos e bravuras.

No bando da bandeira terra adentro
cada guerreiro está também sozinho
na solidão dessa aventura sua.

Na solidão os fortes são mais fortes:
começa a terra onde se acaba o mar
para lá das estrelas só os deuses.

Eram de ferro o pulso e o coração
na defesa das únicas heranças
deixadas aos heróis – a terra e o mar.”

 

Gerardo Mello Mourão
em “Invenção do Mar”


2016 Julho

Em homenagem ao grande escritor, poeta e filósofo brasileiro Gerardo Mello Mourão que tanto dignificou e divulgou a Língua Lusa desde o Brasil à China, desde Portugal à Índia, iremos evocar três poemas dele, neste mês e no de Agosto e Setembro, todos compilados e insertos no último Poema Épico do séc. XX escritos por Gerardo Melo Mourão a que ele deu o título de:

“Invenção do Mar”

ARVORAMOS A CRUZ

“Lavrada por dois carpinteiros
e o Capitão mandou marcar o sítio onde seria fincada
e a cruz foi levada em procissão
com os freires e clérigos cantando.
E eles depuseram arcos e setas
e nos ajudaram a levar a grande cruz
e estiveram à sombra dela
e a cruz plantada – obra de dois tiros de besta do rio –
ali ficou com as armas
E a divisa de Vossa Alteza.

Eles são inocentes como Adão
não lavram nem criam
nem há boi ou vaca cabra ou galinha
e não têm adoração nem idolatria
e um deles acenou, chamou os outros –
acenou com o dedo para o altar
e depois apontou com o dedo para o céu.
Até agora não podemos saber se há ouro
ou prata ou outros metais nesta terra
contudo, o melhor fruto que dela se pode tirar
é salvar esta gente.

Ao partir fomos beijar a cruz
e eles a beijaram como nós
e o Capitão deixou aqui dois degredados
e dois grumetes sumiram de bordo –
não voltaram mais – (a terra enfeitiçou os dois) –
e de manhã, prazendo a Deus,
fazemos nossa partida
rumo a Calicut.

E estas são as letras e a escritura do escrivão
Na primeira manhã do mundo”.

 

Gerardo Mello Mourão
em "Invenção do Mar"


2016 Junho

GOMES LEAL dedicou a CAMÕES
um poema chamado “A Fome de Camões”

Do Primeiro Canto desse poema “A Tragédia da Rua” composto por 43 Estrofes de 8 versos cada uma, se transcreve hoje aqui duas delas em homenagem a Luiz Vaz de Camões no 436 aniversário da sua morte:

“Este vulto, portanto, que caminha
Altas horas, ao frio das nortadas,
É Camões que se definha
Nas ruas de Lisboa abandonadas.
É Camões que a sorte vil, mesquinha,
Faz em noites de fome torturadas,
Ele o velho cantor de heróis guerreiros!...
Vagar errante como os vis rafeiros.

Morreu-lhe o escravo, o seu fiel amigo,
O seu amparo e seu bordão no mundo,
Morreu-lhe o humilde companheiro antigo,
No seu peito, deixando um vácuo fundo.
Hoje, pois, triste, velho, sem abrigo,
Faminto, abandonado e vagabundo,
Tenta esmolar também pelas esquinas.
Ó lágrimas!... Ó glória!... Ó ruínas!...”

 

Antologia Poética de Gomes Leal,
Guimarães Editores - Fev. 1970


2016 Maio

Dois poemas de MARIA AZENHA
do livro "O Último Rei de Portugal

 

MAGISTÉRIO

“O Portugal! O Destino é teu!
Um Rei te fadou no trono dum Imperio!
E em teu doce seio, maternal, nasceu,
Não Portugal, mas todo o Magistério.

 

NAUFRÁGIO E SER

O mar sozinho pode crer e ser.
O céu tem outro poder: O de negar.
Mas Portugal ousado, a abranger,
Aos seus, deu voz! E à Terra, o mar.

E sempre unido à Rosa, de onde nasceu,
Entre naufrágios, perigos e glória,
Ergueu do abismo o Sonho que O deu,
Saltando das mãos, a Forma da História”.

 


2016 Abril

“Sonhei ser Eu, e descobri a Tela
Onde o Sol pintou em várias esferas
O círculo, a Hora oculta, o Espaço, a Vela
Onde Portugal sagrou diversas eras.

E, hoje, Alcântara-porto é cais do Céu
Que abriga Orpheu, o mar e as estrelas,
Com que El-Rei irá nascer do véu
Que o nevoeiro, um Ser, lhe trouxe em telas.

E a orla da Europa, olhando a Terra
Onde outrora só havia Forma e Zeus
Assinala o Oceano, o Vento, a Serra,

As cinco Quinas navegadas pelos seus.
E, em febre, aponta a ‘strada que não erra,
À noite gloriosa onde o Ser encontra Deus…”

 

Soneto dedicado a Almada Negreiros
No Livro de Poemas "O Último Rei de Portugal"

Da autoria da poetisa
MARIA AZENHA

 

Edição de Fundação Lusíada – 1992


2016 Março

Tempo de Quaresma e de Penitência

“… E é evidente que, se é impossível a um católico aceitar o racionalismo laico, lhe é igualmente impossível a convivência com um comunismo materialista, que é no fundo um socialismo aproveitado por uma filosofia materialista. Mas as perspectivas de comunismo só poderão ser iludidas se os católicos por sua vez tomarem para si, para a sua filosofia espiritualista, o que o socialismo estabeleceu como pura máquina económica.

Creio que é isto o que sucederá; e firmemente o creio porque não aceito um carácter puramente histórico do catolicismo, e porque não vejo também possibilidade de se estabelecer uma economia do mundo que não seja de carácter socialista;

Isto é:

Com a base fundamental de que a produção deve ser regulada pelo consumidor e de que a pobreza cujo mérito espiritual me parece inegável, deve ser puramente voluntária; deve estar na vocação do Santo e não na fatalidade do comum dos homens, embora o catolicismo se deve encaminhar cada vez mais, pela sua acção espiritual no mundo, para o milagre fundamental de fazer que desperte, - que se torne consciente em todos os homens – a sua possibilidade e a sua obrigação de serem santos”.

Agostinho da Silva
“Socialismo, Comunismo, Catolicismo”  em
“As Aproximações Ed. 1960 – Guimarães Editores


2016 Fevereiro

Tempo de Entrudo
e Entrada dos Bárbaros no Império da Europa

“… A verdade é que o mundo está cheio de bárbaros e nenhum país está livre deles; a língua do verdadeiro entendimento, da fraternidade, da convivência, das ideias mais sugeridas que impostas porque toda a caridade está em conseguir que as boas ideias surjam nos outros e não em nós; a língua, quase diríamos de silêncio, que levava a que se entendessem os espíritos sem que de mais vibrasse o ar, vai sendo cada vez mais sufocada pelos que sabem gritar e aí encontram uma perfeita expressão das afirmações de sua personalidade; a época é de vitória para quem empurra e clama: de vitória aparente; porque já também no outro desabar de um tempo de paz, acabaram os bárbaros, ao fim de certo tempo, por se agrupar à volta de silenciosos conventos”.

“Esta, não já invasão mas explosão de bárbaro, terminará a nossa Idade Média, aquela que veio ininterruptamente, só superficialmente mudando de aspecto, desde o séc. III ou IV até nossos dias, e que se caracterizará talvez pelo esforço de fazer regressar o homem de uma vida social a uma vida natural.

E só nos resta, no meio do inevitável tumulto, preparar no que pudermos aquela Idade Final que levará o homem a uma vida de sobrenatureza; a qual hoje só pela morte podemos atingir”.

Agostinho da Silva
“Bárbaros à Porta”  em “As Aproximações”
Edição de 1960 – Guimarães Editores


2016 Janeiro

- Mês de Eleições Presidenciais -

“… Político não veio ao mundo para se satisfazer a si próprio: veio para se modelar, veio para se libertar do que lhe era inferior, e não representa num determinado campo senão o que devia ser feito por todos os homens, qualquer que seja a sua especialidade”.

“… A acção só vale quando é feita como um exercício, e um exercício com amor, quando é feita como uma ascese, e uma ascese por amor de que se liberte o Deus que em nós reside”.

“O grande homem só será verdadeiramente grande, se a par do génio criador, e a par do amor pelos homens, tiver a amplidão de alma necessária para não ter como seu modelo, e seu mestre, nenhum outro grande homem, nenhuma figura meio sobrenatural, mas esta criatura paciente, persistente e acima de tudo humilde, e de muito bom humor, que é o jumento; o qual, além de tudo, pode ser lírico, como Platero; que, por fim, como a, em potencial, força e dureza de seus cascos mantém em respeito quem em respeito tem de ser mantido”.

Agostinho da Silva
“A Fadiga Política”
 em “As Aproximações”
Edição de 1960 – Guimarães Editores


2015 Dezembro

- DOIS POEMAS DE NATAL -
MIGUEL TORGA

NATAL 1981

Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava, e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.

E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da Nação.

Mas,

Por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;

E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.

História Antiga, Antologia Poética
Coimbra, Ed. do Autor, 1981


 

ÚLTIMO NATAL 1990

Menino Jesus, que nasces
Quando eu morro,
E trazes a paz
Que não levo,
O poema que te devo
Desde que te aninhei
No entendimento,
E nunca te paguei
A contento
Da devoção,
Mal entoado,
Aqui te fica mais uma vez
Aos pés,
Como um tição
Apagado,
Sem calor que os aqueça.
Com ele me desobrigo e desengano:
És divino, e eu sou humano,
Não há poesia em mim que te mereça.


2015 Novembro

O FUTURO DA LÍNGUA LUSA

No final da primeira “Quinzena” de anos deste III Milénio verifica-se que:
- São nove os Países Independentes que têm o Português como Língua Oficial.
- Mais de 300 Milhões de pessoas falam o Português no Mundo.
- As estatísticas prevêem que em 2025 os falantes do Português sejam cerca de 500 milhões.

Tudo isso confirma as palavras de
FERNANDO PESSOA:

“Os que falam a língua portuguesa, mostram que têm uma alma diferente”.

“A Portuguesa, é a língua da fraternidade universal”.

E o que ANDRÉ SOFIA no princípio deste Milénio disse:

“A língua Portuguesa
É puro sangue lusitano,
Que alimenta e resplandece
O corpo cultural
De TODO um Povo Uno e tropical”.

Na verdade:
Da Água  a Vida veio.
À Água do todos os Oceanos, “a Palavra Lusa” volta, para ecoar em todos os Continentes da Terra, a ressonância da sua Mensagem Atlântica.

Abel de Lacerda Botelho
(Presidente da Fundação Lusíada)


2015 Outubro

António José de Almeida

Fundou em 10 de Fevereiro de 1910 um Jornal que dirigiu, e se chamou “ALMA NACIONAL”. Na sua apresentação António José de Almeida disse:

Órgão de um patriota, o seu título é expressivo (ALMA NACIONAL). Órgão de um homem de ideias avançadas, o título não é descabido, porque amar a nação não significa egoísmo junto de povos alheios. Pelo contrário, a alma nacional portuguesa foi sempre internacionalista, como o mostra na sua aventura sobre os mares, abrindo caminho para a civilização dos outros, e mais tarde, assimilando, sem reservas, o espírito de progresso que dos outros povos lhe veio.

De resto, as edições internacionais, que o “Alma Nacional” vai dar, são ainda uma aspiração para a difusão do seu sentimento patriótico no sentimento geral da humanidade.

António José de Almeida
6º Presidente da República Portuguesa, cargo que exerceu desde 6 de Agosto de 1919 a 5 de Outubro de 1923.


2015 Setembro

Recordando a Batalha de Ourique
E Revivendo o animo dos que nela
Lutaram e Venceram

Transcreve-se a carta escrita em 1561(65)? por João Afonso Beja, que foi:

(Cónego da Sé de Braga – Deão na do Algarve
Lente de Véspera na Universidade de Lisboa
Desembargador da Casa da Suplicação)

(nessa carta lê-se a respeito de OURIQUE)

Que lhe posso eu dizer senão chorar e lamentar a triste sorte dos portugueses que querem voluntariamente perder o que nossos antepassados ganharam.

Estava Portugal cheio de mouros, e não tinha mais (terras) que atee Coimbra, e tynha um rei muyto pobre com tam poucos portugueses e tomava-lhes Santarém e Lisboa e todo o Alem-Tejo, e dava-lhes batalha no Campo Dourique a cinco reis, e vencia-os, desbaratava-os, sem Bulas, e sem Papas e sem pedir esmolas e alegar pobreza.”

Comentário de hoje, passados 454 Anos:

O nosso Rei – Afonso Henriques - apesar de pobre, e com tão poucos portugueses (10.000?) deu batalha a 5 Reis mouros e suas gentes (100.000?) e venceu-os e os desbaratava-os, e tudo isso sem ter sido ajudado de:

     - Bulas,
     - Nem de Papas,
e   - Sem pedir esmolas,
e   - Sem alegar pobreza,
       conseguiu fundar e construir um Reino Europeu e Atlante

Hoje os portugueses:
- Já não lutam pela defesa de si próprios nem de seus Familiares, nem de seu território, nem das suas gentes, nem da sua Língua – Cultura – nem da sua Honra, nem da sua Dignidade, nem desejam mais ser Livres e Independentes e PREFEREM ANTES recorrer a “Bulas de Bruxellas” e a “Papas Financeiros” do F.M.I. do B.C.E, da Federal Reserva, das Troikas e Baldrokas, alegando pobreza, e mitigando contínuos empréstimos.

- Hoje nós Portugueses Europeus passamos os dias a falar de Milhões e milhões de milhões que devemos aos outros, a alegar pobreza monetária e mental, e a pedir esmola mesmo que para isso tenhamos de hipotecar o País por mais de 5 gerações futuras, perdendo a própria honra e liberdade, e como bons escravos até vendemos os Pais e o País, a Família e os Amigos, numa voracidade louca de se querer Ter o que não se Tem, e de querer o Haver que não Há, e o de “matar a alma e a honra” por troca de míseros pratos de lentilhas, desprezando completamente o que de Bom nós ainda temos, e a liberdade e Independência que ainda poderemos rehaver.

Afinal que Vilões, que Traidores, que Ladrões, que Hipócritas, que Usurários, que Corruptos e que Incompetentes é que têm feito parte – e há mais de 450 anos até hoje – da “Comissão Liquidatária de Portugal”?

Dê-se a palavra e a acção, aos Portugueses, e sobretudo aos seus Jovens para que nesta Hora possam decidir antes de emigrarem:

- desejam:   Assumirem-se?
- ou desejam:  Sumirem-se?

O “Livro Branco de Portugal” espera pela resposta de todos nós – os Portugueses.

– Saibamos escrever nessas páginas – que aguardam transcrever a História da nossa Acção – e sejamos céleres em a efectivar, pois o TEMPO já esperou de mais, e o Prazo para se Cumprir Portugal está acabando…

 

Chegou o “Tempus agendi”

       É a HORA DE AGIR.


2015 Agosto

"O Homem querendo ser mais do que era,
Perdeu o que era; quis ser como DEUS,
E perdendo a dignidade de homem,
Ficou semelhante aos brutos"

Padre António Vieira
em "Sermões do Diabo mudo", 1661.


2015 Julho

Comemorando 876 anos da Batalha de Ourique (24 de Junho de 1139), a qual Firmou Portugal:

D. AFONSO HENRIQUES

Pai, foste cavaleiro.
Hoje a vigília é nossa.
Dá-nos o exemplo inteiro
E a tua inteira força!
Dá, contra a hora em que, errada,
Novos infiéis vençam,
A bênção como espada,
A espada como benção!

Fernando Pessoa
em a "Mensagem"


2015 Junho

Em uma sexta-feira, dia 13 de Junho do ano de 1231 morria em Pádua, o Frei e Santo, António, que nascera em Lisboa à volta do ano de 1190.

De seu nome de baptismo: Fernando de Martins Bulhões ele foi filho de António Martins de Bulhões e de D. Maria Tereja de Oliveira.

Ele foi um filho-família distinto, um estudante modelo, um religioso consciente, um pregador fluente, o primeiro professor oficial da Ordem Franciscana, um dirigente preocupado com o BEM dos seus Irmãos, um escritor conhecedor e cumpridor das regras da melhor oratória. Toda a sua vida foi de sofrimento, oração, contemplação e dádiva aos outros e para bem dos outros.

Morreu como Santo em 1231. Foi canonizado passados 11 (onze) meses pelo Papa Gregório IX (canonização essa, que até hoje foi a mais rápida a ser reconhecida pela Santa Madre Igreja). O Papa Gregório IX tinha por ele a maior das admirações e como Santo o tratava já em vida, chamando-lhe mesmo:

"A Arca do Testamento"

Foi Santo António declarado como DOUTOR da IGREJA em 16 de Janeiro de 1946 por Carta Apostólica "Exulta Lusitania Felix" de sua Santidade o Papa Pio XII.

É Santo António, o Santo mais conhecido e venerado de toda a Cristandade espalhada por todo o Mundo, desde a América do Sul ao Japão, desde a Austrália à Islândia e Gronelândia, desde a Europa a toda a África.

Ele é venerado em todo o hemisfério terrestre e simplesmente invocado como O SANTO.

A Fé nele, e na sua devoção, produziu e produz por todo o Globo tantos e tais milagres, que não há nenhum outro Santo ou Doutor da Igreja que se possa nisso comparar a Ele.

Conforme disse Luiz Vaz de Camões no final da estrofe 118 do Canto X do seu poema "Os Lusíadas" apelando ao Apóstolo S. Tomé – o evangelizador das Índias:

"Mas os anjos do Céu, cantando e rindo
Te recebem na Glória que ganhaste.
Pedimos-te que a Deus ajudas peças
Com que os teus Lusitanos favoreças".

Nós hoje, quer os Lusos emigrantes na própria terra, quer aqueles que em Diáspora por todo o Mundo estão espalhados, pedimos:

"Santo António!

Protege sempre os teus Irmãos Lusos, e pede ao Santo DEUS que tenha compaixão e misericórdia para com eles.

Que haja paz na Terra
E que os obreiros da Paz possam ver
E comungar da Tua Glória.

 

Conselho de Administração
da Fundação Lusíada


2015 Maio

Neste mês de Maio, mês da Padroeira de Portugal e mês das Flores, alguns “sábios” da Língua Portuguesa, e “sábios” da Comunidade de Países da Língua Portuguesa (C.P.L.P.) pretendem oficializar um (Des)Acordo Ortográfico e isso sem que os Povos que falam a mesma língua tenham sequer sido consultados, ou tenha sequer havido um único “Referendum” em qualquer dos Países Membros da C.P.L.P. que tal permitisse ou impusesse.

AFINAL

- Quem tem medo que a Ortografia da Língua portuguesa se mantenha inalterável?

- Quem tem medo da existência da civilização Lusa e da existência da C.P.L.P.?

- Quem é que afinal quer estabelecer e com que intenção, o (Des)Acordo Ortográfico na Língua Portuguesa?

- Quais os “sábios” que fizeram parte da “Comissão” que elaborou tal (Des)Acordo?

- Quem os nomeou? Com que critério? E qual a base legal internacional que tal permitiu?

- Que interesses, que “Lobies”, a que Países é que eles pertencem, e a que Países eles estão a obedecer e a cumprir ordens recebidas?

- Com que finalidades?

- Qual o preço, - e em que moeda – é que alguém pagou aos referidos “sábios”  para elaborarem tal (Des)Acordo?

- Que lugares e que cargos político-internacionais é que foram prometidos dar e ocupar a tais “sábios” da língua portuguesa?

- A que língua, ou línguas, ou dialectos é que tais “sábios” estão submissos, subservientes, e escravos?

A Língua Portuguesa é o Sangue da Cultura Lusa e é a razão primordial da existência da C.P.L.P. A Acentuação e a Fonética de qualquer língua constituem o verdadeiro SAL dessa Língua.

- Quem pretende a pouco-e-pouco fazer da Língua Portuguesa uma língua sem vida, sem vitalidade, sem “sal”, enfim, fazer dela uma língua morta?

- A língua Portuguesa é sobretudo uma Língua Marítima, e sobretudo ATLÂNTICA, e verdadeiramente pertencente a Povos banhados pelo ATÂNTICO SUL.

- Será que os Países banhados só pelo ATLÂNTCIO Norte pretendem enfraquecer, e futuramente subjugar, e de novo colonizar a Língua falada pelos Países banhados pelo ATÂNTICO SUL?

- Será que esses países NÃO SUPORTAM a existência e têm medo da C.P.L.P. e pretendem aniquilá-la e extingui-la?

- Qual o nome concreto das pessoas físicas e das Instituições, que efectivamente elaboraram tal (Des)Acordo Ortográfico, e quais os Países que lhes pagaram para fazerem tal trabalho?

- Todos os cidadãos – pertencentes à C.P.L.P. - exigem e querem ter conhecimento de quais foram as pessoas físicas que se acobardaram e a coberto de uma NOMENCLATURA sem nome, e por isso ignota, ignara, e ignóbil pretendem enfraquecer – para futuramente destruírem -  uma Língua – comum Oficial – a Nove (9) países Independentes – e  todos  pertencentes de direito próprio às Nações Unidas?

- Quem é que quer destruir os Pés, as Mãos, os Pulmões, o Coração e a Alma da C.P.L.P. ao pretenderem impor-lhe um (Des)Acordo Ortográfico na Língua comum a todos eles, e sendo essa Língua única, a Razão de ser essencial e que une essa mesma Instituição – a C.P.L.P?

Todos os Povos que falam e escrevem na Língua portuguesa têm o direito de receber respostas a estas perguntas, e dadas pelas entidades responsáveis pelo “feitura de tal Acordo Ortográfico” e é por isso, que a Fundação Lusíada – Fundação privada, sem fins lucrativos, e que tem por primordial objectivo a Defesa e Divulgação da Língua e da Cultura Portuguesa, entendeu por bem neste mês de Maio de 2015, pôr à consideração de todos os Lusos que usam e praticam a Língua Portuguesa, estes comentários.

Tanto mais, que o Nº 3 do art. 11 da actual Constituição da República Portuguesa diz que: “A Língua oficial é a Portuguesa” e pelo que se sabe, e é de conhecimento público nacional e estrangeiro, a ortografia, com que está redigida e escrita tal Constituição, é a mesma desde há decénios e desconhece por completo a Nova ortografia que o tal (Des)Acordo Ortográfico ilegalmente quer agora impor-lhe.

Ou acaso já foi alterada a Constituição Portuguesa no que respeita à ortografia em que ela está escrita, e sem que tal tenha sido dado conhecimento oficial e oficioso ao Povo Português?


O Presidente da Fundação Lusíada


2015 Abril

Mês de Páscoa – mês da Passagem

Todos os Lusos em passagem por este Mundo, revivam no Escudo, e nas Armas da sua Pátria - que há mais de 900 anos lá têm gravadas - as Cinco Chagas da Crucificação de Jesus Cristo, e os Trinta dinheiros pelos quais Judas O traiu e O vendeu aos Judeus.

Festeja-se neste mês a Ressurreição do Senhor.

Todo o Luso, olhando hoje a Bandeira, as Armas e o Escudo do seu País, recorde e viva a sua Fé, e a sua Esperança na Ressurreição.
E não traia por dinheiro algum, Aquele que determinou que Afonso Henriques e o seu Povo, construíssem um Reino, e levassem até aos Países mais estranhos, o nome de Jesus Cristo e a vivência da Sua Misericórdia e do Seu Amor.

Cristo Ressuscitou e todo o Luso que Nele crê, acredita que ressuscitará também.

Honremos o Escudo, as Armas e a Esfera Armilar da nossa Pátria Lusa.

O Presidente da Fundação Lusíada


2015 Março

"Vem, poesia, vem como vieste
No virginal começo de outras eras!
Vem amansar as feras,
Alegrar o cipreste,
E cobrir de ridentes primaveras
Este cimento que ninguém reveste!"

Miguel Torga
em “Diário”. Coimbra, 4 de Julho de 1944.


2015 Fevereiro

“A justiça não aparece,
A verdade he desterrada,
E a mentira honrada,
O que agora mais merece
Esse há menos soldada.

A meu pae ouvi dizer
(nego hua autoridade,
Nunca ma há-de esquecer);
Quem quiser ter de comer
Que nunca falle verdade,
Se não sempre à vontade
Do senhor com que viver.

Os homens hão-de seguir
A opinião geral,
Porque já em Portugal
Quem não costuma mentir
Não alcança um só real.

Que os homens verdadeiros
Não são tidos nua palha;
Os que são mexeriqueiros
Mentirosos, lisonjeiros,
Esses vencem a batalha!”.

Gil Vicente
em “Auto da Festa”.

(Afinal o país não mudou mesmo nada. Os políticos de hoje são bons sucessores dos de há quinhentos anos atrás).


2015 Janeiro

Mais um ano se inicia no Calendário da Vida;
No movimento de Translação da Terra;
No evoluir da Paideia Lusa.

Que ele traga a Todos os Lusos
Muita Felicidade no Ser;
Muita Coragem e Tenacidade no Estar;
E muita Paz e Alegria por saberem
Que no Estar não vão Ficar.

O Presidente da Fundação Lusíada


2014 Dezembro

"Ave, ó lírio impoluto
Cheio de graça ante os Céus.
Bento no ventre é teu fruto
Convosco é o Senhor Deus".

Gomes Leal
em “História de Jesus”.


2014 Novembro

No Rossio o Prior de Santa Iria
Vendo um palácio, disse ao Canongia:
"Que será isto aqui?
- Dona Maria.....
Onde se representam as tragédias.

Vai correndo a cidade, e sempre atento
Pergunta noutro sítio
"Isto é convento”?
- Não! Isto é o Teatro de S. Bento,
Onde se representam as comedias.

João de Deus,
em “Campo de Flores”.


2014 Outubro

"Ó santos corações do povo!
Mas do povo das montanhas, direi; do povo que ainda não saiu às praças vociferando que é rei porque é povo!

Das palavras de independência e liberdade, lançadas no meio alvoroçado das multidões, deviam, como semente do mal, germinar frutos de maldição.

A liberdade e a independência não seriam bastante incentivo para mover as molas estúpidas das massas, se algumas grandes promessas a cumprir logo lhes não fosse feita. Prometeram-lhes a partilha dos domínios exagerados das ordens religiosas, prometiam-lhes uma liberdade de acção que não gozavam, prometiam-lhes o roubo e a licença… que mais alentos precisavam as turbas para marcharem entusiastas à destruição…?".

“A democracia não arranja um Santo para o seu martirológico. Ela tem contra si o descambar para a canalhocracia.

Penso que o sufrágio popular deixará de ser suco gástrico do aparelho digestivo da política portuguesa, quando o eleitor for tanto ou mais instruído e independente que o deputado eleito; mas sendo isto, como é, um absurdo, o sufrágio popular nunca poderá ser considerado um traço bastante sério da fisionomia do regímen representativo”.

Camilo Castelo Branco
em "Horas de Paz”, 1865, pag. 276, e Jornal “O Tempo” nº 284, 1889.


2014 Setembro

"O que é a Democracia?
Quem poderá dizê-lo!
É o escrópulo onde até hoje têm naufragado todas as sociedades.
No ambiente subtil e esterilizador dessa conspiração permanente, que é a essência mesmo do parlamentarismo, (os partidos) perderam a noção da realidade; e enquanto o mundo se transforma, vão repetindo maquinalmente as costumadas teses de uma filosofia política caduca e que nem já compreendem.

Tais partidos, cuja permanência só se explica pelo estado de torpor e inercia – a que a incumbação de um mundo novo condena momentaneamente a sociedade, são o "caput morturum" da política burguesa, e nada mais".

Antero de Quental
em "Cartas". Coimbra, 1921, pag. 115.


2014 Agosto

"O chamado liberalismo, esse entendia ele:
Reduz-se, a duas coisas:
- Duvidar e destruir por princípio,
- Adquirir e enriquecer por fim.

É uma seita toda material em que:
- a carne domina e o espírito serve –
O liberalismo tem muita força para o mal; pois bem verdadeiro, real e perdurável, não o pode fazer.
Curar com uma revolução liberal um país estragado, como são todos os da Europa, é sangrar um tísico: a falta de sangue diminui as ânsias do pulmão por algum tempo, mas as forças vão-se e a morte é a mais certa."

Almeida Garrett
em "Viagens na Minha Terra".


2014 Julho

"O rei dos animais, o rugidor leão,
Com o porco engraçou, não sei por que razão.

Quis empregá-lo bem para tirar-lhe a sorna
(A quem torpe nasceu nenhum enfeite adorna):
Deu-lhe alta dignidade, e rendas competentes,
Poder de despachar os brutos pretendentes,
De reprimir os maus, fazer aos bons justiça,
E assim cuidou vencer-lhe a natural preguiça;

Mas em vão, porque o porco é bom só para assar,
E a sua ocupação dormir, comer, fossar.

Notando-lhe a ignorância, o desmazelo, a incúria,
Soltavam contra ele injúria sobre injúria
Os outros animais, dizendo-lhe com ira:
- Ora o que o berço dá, somente a cova o tira.

E ele, apenas grunhindo a vilipêndios tais,
Ficava muito enxuto. Atenção nisto, ó pais!
Dos filhos para o génio olhai com madureza;
Não há poder algum que mude a Natureza:

Um porco há-de ser porco, inda que o rei dos bichos
O faça cortesão pelos seus vãos caprichos.
"

Barbosa du Bocage, 1800.


2014 Junho

Aparecem na grande cena do mundo certos demagogos, certos revolucionários, que no fundo da sua alma não querem, nem Rei nem Roque, nem Constituição nem Ordenação, nem forma alguma de Governo, que não seja uma tumultuosa, e mal entendia democracia. Como verdadeiros camaleões, tomar sempre diversas cores, e diferentes aspectos, dão tombos como as enguias; mas quem olha para elas e para os tombos, sempre descobre o rabinho, que se inclina, e toma a direcção da água. Inculcam e assoalham planos de reformas, procuram embuir os incautos com mudanças e melhoramentos, fazem arear as classes, que a soberba julga ínfimas no povo com as nivelações e igualdades diante da Lei, detrás da Lei, à ilharga da Lei.

Os Povos, que, enfim, não são tão tolos como eles os querem fazer ou querem que sejam, começam a desconfiar de tanta manteiga, e de tão palavrosos impostores; e pelo que eles começam a fazer, e a decretar, conhecem que o fim máximo destes perturbadores do sossego das Nações, é roubar, e dominar; a reacção é igual à compressão, e a elasticidade moral é mais valente que a elasticidade física; e por um impulso natural e unanime recalcitra, e diz altamente que não está para aturar uma cambada de arlequins e saltimbancos, uma caterva de tira-dentes…"

Carta 2ª de Pe. José Agostinho de Macedo a J.J.P.L. – Lisboa, 1827.


2014 Maio

Alimpem a mão à parede. Que fizeram os furiosos Pedreiros? Declararam a soberania do Povo, ideia monstruosa, e contraditória; quer dizer, que o Povo não seria livre, nem no acto das eleições dos Palhaços. Nesse mesmo acto foi tirada a liberdade, e a sabedoria prometida, e declarada ao Povo, a quem com suborno se empurraram listas uniformes.

Alimpem a mão à parede. Prometeram animar as Fábricas, promover as Artes, e a Indústria. Quer dizer que apenas trabalharia alguma fábrica de mechas, e velas de sebo; que os Barbeiros, por fome, rapariam as caras a dez reis; que animariam as fábricas da mentira, da impostura, da imoralidade; que aperfeiçoariam a arte de furtar, e que na de pedir esmola haveria catedráticos de Prima e milhares pela rua, todos com razão, porque todos com fome.

Pe. José Agostinho de Macedo
em: "A Tripa Virada". Porto, 1823.


2014 Abril

Como o nosso poeta JOÃO DE DEUS explica a toda a criança que nós somos, “quem é Aquele pregado naquela Cruz”.

CRUCIFIXO

“Minha mãe, quem é aquele
Pregado naquela cruz?
- Aquele, filho, é Jesus...
É a santa imagem dele!

“E quem é Jesus?” – É Deus!
“E quem é Deus?” – Quem nos cria,
Quem nos manda a luz do dia
E fez a terra e os céus;

E veio ensinar à gente
Que todos somos irmãos,
E devemos dar as mãos
Uns aos outros irmãmente:

Todo amor, todo bondade!
“E morreu?” – Para mostrar
Que a gente pela Verdade
Se deve deixar matar”.

João de Deus
em “Crucifixo”


2014 Março

“Sigamos o cherne, minha Amiga!
Desçamos ao fundo do desejo
Atrás de muito mais que a fantasia
E aceitemos, até, do cherne um beijo,
Senão já com amor, com alegria.

 Em cada um de nós circula o cherne,
Quase sempre mentido e olvidado.
Em água silenciosa de passado
Circula o cherne: traído
Peixe recalcado...

 Sigamos, pois, o cherne, antes que venha,
Já morto, boiar ao lume de água,
Nos olhos rasos de água,
Quando, mentido o cherne a vida inteira,
Não somos mais que solidão e mágoa...”

Alexandre O'Neill
em “No Reino da Dinamarca”


2014 Fevereiro

“Mãe:
Vem ouvir a minha cabeça a contar históricas ricas que ainda não viajei!
Traz tinta encarnada para escrever estas coisas.
Tinta cor de sangue, sangue verdadeiro, encarnado.

Mãe, passa a mão pela minha cabeça!

Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens!
Eu vou viajar. Tenho sede!
Eu prometo saber viajar.

- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
Mãe, ata as tuas mãos às minhas, e dá um nó cego muito apertado! Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa. Eu também quero ter um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a mesa.

Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!

Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!

José de Almada Negreiros
em “A Invenção do Dia Claro”


2014 Janeiro

"E que fazer se a geração descai!
Se a seiva genealógica se gasta!
Tudo empobrece! Extingue-se uma casta!
Morre o filho primeiro do que o Pai".

Cesário Verde,
1884


2013 Dezembro

Nesta data natalícia de 2013, evoquemos de novo o nosso maior poeta: Luiz Vaz de Camões e "a exortação" que ele fez em louvor do Natal de JESUS:

"Desce do Céu, imenso Deus Benino
Para encarnar na Virgem Soberana
Porque desce o divino a cousa humana?
Pera subir o humano a SER DIVINO".

Luiz Vaz de Camões


2013 Novembro

O amor ao passado de Portugal, ainda é a melhor reserva espiritual para a segurança do seu futuro.
Na vida do Homem, não esquecer o passado, é amar o futuro.

E quem ama o futuro, não sofre deixá-lo comprometer.
Ainda é a História, quem resgata os erros dos homens - salvando a memória do que foram e realizaram - da voragem do Tempo.

Domingos Maurício Gomes dos Santos
em "Prefácio ao VI Volume da História de Portugal" de Luíz Gonzaga de Azevedo.


2013 Outubro

“Há a cultura, a fé, o amor, a solidariedade. Que será, porém de Portugal quando deixar de ter dirigentes que acreditem nestes valores?”

“As primeiras décadas do próximo milénio serão terríveis. Miséria, fome corrupção, desemprego, violência, abater-se-ão aqui por muito tempo. A Comunidade Europeia vai ser um logro. O Serviço Nacional de Saúde, a maior conquista do 25 de Abril, e Estado Social e a independência nacional sofrerão gravíssimas rupturas. Abandonados, os idosos vão definhar, morrer, por falta de assistência e de comida. Espoliada a classe média declinará, só haverá muito ricos e muito pobres. A indiferença que se observa ante, por exemplo, o desmoronar das cidades e o incêndio das florestas é uma antecipação disso, de outras derrocadas a vir”.

Natália Correia
Do livro “O Botequim da Liberdade”, de Fernando Dacosta


2013 Setembro

"A nossa entrada na (CEE) vai provocar gravíssimos retrocessos no país. A Europa não é solidária com ninguém, explorar-nos-á miseravelmente como grande agiota que nunca deixou de ser. A sua vocação é ser colonialista."

Premonições de Natália Correia


2013 Agosto

(Cento e dois anos depois)

"O povo é soberano à semelhança de Jesus Nazareno quando os fariseus lhe meteram na mão uma vara verde e, coroando-o de espinhos o proclamaram "rei dos Judeus"!

A mais não chegaram as teorias metafísicas de Liberdade, Igualdade e Fraternidade com que há cento e vinte e dois anos têm andado a iludir o número infinito dos que têm fome e sede de Justiça!

Estas ficções têm de acabar, e acabarão quando a elite dos filósofos, dos sábios, dos moralistas e dos políticos, e a força omnipotente das multidões, se submeterem à lei suprema da solidariedade das coisas e das almas, e obedecerem aos ditames iniludíveis da consciência humana, esclarecida pela razão e guiada pela Verdade e pela Justiça.

Manuel de Arriaga
(Excerto do artigo "Da Soberania e dos seus Respectivos Órgãos – 2 de Agosto de 1911).


2013 Julho

"Os portugueses são naturalmente sofredores e pacientes: muita arrochada há-de ser a corda com que de mãos e pés os atem seus opressores, antes que rompam em um só gemido os desgraçados.

Um murmúrio, uma queixa… nem talvez no cadafalso a soltarão!

Vendem-nos os desleais pegureiros de quem nos deixamos governar.

Vendem-nos, enxotam-nos para a feira, a cajado e a latido e mordidela de seus matins; e nós vamos e nem gememos.

Tal é, com as diferenças de avariados nomes e datas, a história de Portugal!"

Almeida Garret
(Carta de M. Servola – 1830)


2013 Junho

Pensamentos de Fernando Pessoa sobre a Língua Portuguesa:

- A base da Pátria é o idioma.
- Os que falam a língua portuguesa mostram que têm uma alma diferente.
- A Portuguesa é a língua da fraternidade universal.


2013 Maio

"Dei a volta ao mundo, dei a volta à VIDA.
Só achei enganos, decepções, pesar...
Oh a ingénua alma tão desiludida!...

Minha velha ama, com a voz dorida
Canta-me cantigas de me adormentar!..."

Guerra Junqueiro

2013 Abril

"Todos nós que vivemos neste globo, formamos uma imensa caravana que marcha confusamente para o NADA.

Cerca-nos uma Natureza inconsciente, imparável, mortal como nós, que não nos entende nem sequer nos vê, e donde não podemos esperar nem socorro, nem consolação…"

Eça de Queirós


2013 Março

"Um homem só deve falar, com impecável segurança e pureza, a língua da sua terra. - Todas as outras as deve falar mal, orgulhosamente mal, com aquele acento chato e falso que denuncia logo o estrangeiro.

NA LÍNGUA VERDADEIRAMENTE RESIDE A NACIONALIDADE

e quem for possuindo com crescente perfeição os idiomas da Europa vai gradualmente sofrendo uma desnacionalização… Por isso, o poliglota nunca é patriota".

Eça de Queirós
(Correspondência de Fradique Mendes, ed. Livros do Brasil, pag. 130)


2013 Fevereiro

Papa (Bento XVI) Renunciou:

"Se a alma cria deuses e, respirando, espalha o infinito em roda de si – é que lá dentro alguma coisa infinita se concentra, e o divino se esconde para se manifestar dia a dia na revelação constante chamada VIDA.

É que cada um de nós dá em seu peito morada a um grande desconhecido que ali existe, cuja voz grave se ouve a espaços e nos alumia a face com os relâmpagos da sua glória…

…É o Deus, que o Universo esconde, revelando-se pela consciência…"

Antero de Quental: "Prosas de Antero de Quental"


2013 Janeiro

António Quadros Ferro foi membro da Administração da Fundação Lusíada, durante 7 anos: desde a sua criação em 1986 até 1993 data do seu passamento. Neste ano de 2013 – António Quadros Ferro comemoraria o seu 90º aniversário.

"Nenhum povo tem o direito de abandonar os seus homens de mais alto espírito à simples admiração passiva dos que nas memórias somente trazem a lista dos seus nomes. Admirar um alto espírito é amá-lo, trazê-lo na melhor companhia das nossas almas; de modo que, no calor dessa companhia, exaltemos os nossos valores espirituais".

Leonardo Coimbra


2012 Dezembro

E para comemorar o Santo Natal, o Nascimento de Jesus,
Luís de Camões escreveu:

"DESCE DO CÉU IMENSO DEUS BENINO
PARA ENCARNAR NA VIRGEM SOBERANA
PORQUE DESCE O DIVINO A COUSA HUMANA?

PERA SUBIR O HUMANO A SER DIVINO"

 

E André Sophia comentou:

"QUE A PAZ SEJA COM TODOS OS HOMENS DE BOA-VONTADE.
AMAI NÃO SÓ COM PALAVRAS,
AMAI SOBRETUDO COM ACÇÕES E EM VERDADE.

E O POVO LUSO-ATLÂNTICO
AMANDO, AMANDO, AMANDO

DA LEI DA MORTE, SE IRÁ LIBERTANDO"


2012 Novembro

"Eram de rocha viva as ameias crestadas,
Para gigantes e condores!
Hoje das pedras mutiladas
Fazem cascalho nas estradas

         Os britadores.

"Cantaram sobre nós, montante, adaga e lança
Trinta epopeias
Ei-lo o inimigo, ei-lo que avança:
Vai metralhar-nos? Que nos lança?
Merda às mãos cheias.

"Claustros, abóbadas, arcadas
Muros batidos do tufão.
Campas partidas e violadas

          Tudo no chão!

"No chão rosáceas e cruzeiros,
Grimpas, zimbórios, campanis…
Em tumbas negras de mosteiros,
Onde dormiram cavaleiros
Santas e heróis, dormem répteis!

"Onde a grandeza, onde a pujança
Do Lusitano, ao medo alheio?
Que resta enfim da nossa herança?
Porcos da vara de Bragança,
Grunhi nos túmulos! Dizei-o!

"Dizei, poltrões, dizei cevados
Que resta enfim da nossa glória?
Que é da altivez? Jogam-se aos dados…
Que é do estandarte? Ei-los em bocados…

Que é da Nação? Morreu na história!

"Do imenso império extraordinário
Só aos ladrões ficou defeso.
O espaço triste e necessário
Onde o Bretão erga um Calvário
E cuspe rindo, o seu desprezo!

"E o povo? Inerte. E o rei? À caça.
Quem é que impera? O Deus Milhão
Ah! Como é bom em tumba escassa
Longe do Sol que vê tal raça
Dormir, dormir na escuridão

"Por terra a túnica em pedaços,
Agonizando a Pátria está
Ó MOCIDADE, oiço os teus paços!...
Beija-a na fronte, ergue-a nos braços

          Não morrera!

Guerra Junqueiro: "FINIS PÁTRIAE"


2012 Outubro

Falam as Escolas em Ruínas

"A alma da infância é flor mimosa;
A escola é triste e a flor vermelha;
Na escola paira a c'ruja odiosa,
E sobre o cálice da rosa

          A abelha.

"Tu fazes, Pátria, as almas cegas
Pendendo a infância num covil,
Aves não cantam nas adegas
Se a infância é flor, porque lhe negas

          Abril?

Guerra Junqueiro: "FINIS PÁTRIAE"


2012 Setembro

É um fenómeno curioso:
O Povo ergue-se indignado;
Moureja o dia inteiro indignado;
Come, bebe e diverte-se indignado;
Mas não passa disso.

Falta-lhe o romantismo cívico da agressão.

Somos, socialmente, uma colectividade pacífica de revoltados”.

Miguel Torga: "Diário IX" (1961)

Nota: August'Alvão quando ouviu isto de Miguel Torga, comentou-lhe: "O povo português, em verdade, é todo uma "Maria da Fonte em suspensão".


2012 Agosto

Cantiga: Partindo-se

“Senhora, partem tã tristes
Meus olhos por vós, meu bem
Que nunca tam tristes vistes
Outros nenhuns por ninguém

Tam tristes tam saudosos,
Tam doentes da partyda,
Tam cansados, tã chorosos,
Da morte mays desejosos
Çem mil vezes que da vida.

Partem tão tristes, os tristes,
Tam fora d’esperar bem,
Que nunca tam  trystes vistes,
Outros nenhuns por ninguém”

E os “olhos” são a “alma do corpo”.
E os Emigrantes são “os olhos” da Alma Portuguesa.

A.L.B.


2012 Julho

"Oh Mar Salgado
Quanto do teu sal,
são lágrimas de Portugal"

Fernando Pessoa: "Mensagem"


2012 Junho

"Menina e Moça me levaram da casa de meu pai para longes terras.

Qual fosse então a causa daquela minha levada, era eu pequena, não na soube.

Agora não lhe ponho outra, senão que já então parece havia de ser, o que depois foi"

Bernardim Ribeiro: "Saudades, ou Menina e Moça"


2012 Maio

"Pae, foste cavalleiro.
Hoje a vigilia é nossa.
Dá-nos o exemplo inteiro
E a tua inteira força!"

Fernando Pessoa: "Mensagem"


2012 Abril

"Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fatuo encerra.
Ninguem sabe que coisa quere.
Ninguem conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ancia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro..."

Fernando Pessoa: "Mensagem"


2012 Março

Terminando neste mês as Comemorações dos 25 anos (Bodas de Prata) da Fundação Lusíada, deseja-se a todos os falantes de Língua Lusa, as melhores Venturas, Saúde e Paz.


2012 Fevereiro

Existem hoje, em todo o Globo, várias CENTENAS de MILHÕES de pessoas falando a LÍNGUA LUSA, e com ela pensando, e actuando. Expanda-se cada vez mais por todo o mundo, a PAZ e a SOLIDARIEDADE da civilização LUSO-ATLÃNTICA.


2012 Janeiro

Quanto mais ao meu Povo
a alma falta
Mais a minha alma Atlântica
se entorna e exalta!


2011 Dezembro

O Trabalho é Humano,
A Vida é Universal.
Mas o sonhar é Português!
E só sonha quem ama,
e só ama quem sonha.


2011 Novembro

A Língua Portuguesa
É puro sangue lusitano
Que alimenta e resplandece
O corpo cultural
De um povo uno e tropical.


2011 Outubro

Em lugares de dizeres:
"hei-de fazer"
diz antes:
"Está feito".


2011 Setembro

O Povo português não é melhor ou pior
que qualquer outro povo do Mundo.
Ele é porém diferente.
E é nessa diferença,
que o povo Português é Excelente.


2011 Agosto

E Camões disse a D. Sebastião há 450 anos:

"Fazei, Senhor, que nunca os admirados
Alemães, Gales Itales e Ingleses
Possam dizer que são para mandados
Mais do que pera mandar, os portugueses"

"Lusíadas" Canto X-CLII


2011 Julho

"Portugal será amanhã o que os portugueses de hoje queiram que Ele seja."


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