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"Defesa e Divulgação da Língua
 e Cultura Portuguesa"

 

Manuel J. Gandra
Joaquim de Fiore, Joaquismo e Esperança Sebástica

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COLECÇÃO DOCUMENTOS

Nº 2 | 213 páginas | 1999
Formato: 160 x 230 mm

P.V.P. 17,00€
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«Ao Tempo da Lei natural sucede o Tempo da Lei evangélica que, por sua vez, deverá dar lugar ao Tempo da inteligência espiritual. O primeiro foi na Ciência, ou na Luz; o segundo na Sageza, ou na Beleza; o terceiro será na plenitude do Espírito, ou no Amor. O primeiro foi o Tempo dos Velhos, o segundo o Tempo dos Homens maduros, o terceiro será o Tempo dos Meninos.

É possível estabelecer um paralelismo entre as três Idades e os sete dias da criação, ou os sete períodos do mundo (aetates ou idades): o Tempo do Pai abrange os cinco primeiros períodos, o do Filho o sexto período, o Tempo do Espírito Santo abarcará o sétimo.

Cada uma das três Idades terrestres, com o âmbito de 42 gerações, conhece uma dupla data de origem: a da sua inauguração antecipada e a da sua efectiva fundação, ou confirmação, isto é, a data da iniciação ou germinação e a data da clarificação ou frutificação, respectivamente.

A primeira Idade, inaugurada por Adão, foi confirmada pelos Patriarcas e por Moisés; a segunda, inaugurada pelo rei Oseias, frutificou a partir de Jesus, o Cristo, e dos seus Apóstolos; quanto à terceira, inaugurada pelo BemAventurado S. Bento, só frutificará “nos tempos do fim”, a seguir ao regresso de Elias, “segundo o Espírito”, e à derrota do Anticristo.

As idades entrelaçam-se umas nas outras. Quando a seguinte começa a germinar a precedente frutifica ainda. A segunda Idade é dupla, característica que lhe advém do facto de, por um lado, existir a Igreja do Oriente, com S. João Evangelista e a Virgem, e, por outro, a Igreja do Ocidente, com S. Pedro e S. João Baptista. Deus assim o ordenou para estabelecer, simultaneamente, a Ordem Sacerdotal e a Ordem Monástica; a vida activa e a contemplativa; o magistério da pregação doutrinal e a religião virginal e casta.

É que D. Sebastião, tal como Carlos V, seu avô, e Filipe II, seu tio, haviam feito, quis ser retratado como Monarca Universal, o “Cinquecento diece e cinque” (515), DVX (aliás, DXV) ou Veltro (cão lebréu = galgo), agente da Tribulatio e da Renovatio e, de acordo com a tradição gibelina assimilada pelo joaquimismo, enviado por Deus para aniquilar “a meretriz e o gigante que delinque” com ela, i. e., Roma.

Sabido que o Veltro manifesta o DVX e que o vocábulo italiano que o designa (cane) se aproxima foneticamente de Khan (Senhor), título que os europeus atribuíam aos soberanos orientais de raça mongol e turco-tártara a quem conferiam, por confusão com o Preste João, a função de Rei do Mundo, foi reivindicandose da prerrogativa hierático-real de Melquisedeque (como encarnação dos dois Poderes nele sintetizados) que D. Sebastião se fez retratar como Vingador e Restaurador da autoridade Imperial.

De facto, acompanham essa sua imagem como Senhor Universal, detentor dos dois Poderes (Rex et Sacerdos, lex animata in terris), os atributos inerentes ao cargo imperial (a Paz e a Justiça) que, na visão gibelina, são a manifestação de um carisma indefectível e ahistórico, fonte dos direitos natural e divino. Ostenta-os, respectivamente, na disposição peculiar dos anéis nos dedos de Júpiter (indicador) e Mercúrio (mínimo) da mão direita, ou da Misericórdia (aquela que abençoa: “in dextera, tanquam digniore, qua sacrae benedictiones impenduntur”), insígnias da aliança ou Mysticus Coniunx do Esposo com a República, da investidura na dignidade e jurisdição próprias à Autoridade Espiritual (ideia que o galgo ou cão lebréu, do mesmo lado, reafirma) e na colocação da mão esquerda, a do Rigor (Poder Temporal), no punho da espada (arma tradicionalmente associada à noção de Justiça: Gladium mundi).

Na Tábua de Gregório Lopes (Encontro de Abraão com Melquisedeque), pertencente ao retábulo da capela-mor da igreja de S. Baptista de Tomar, em segundo plano, semi-encobertos pela figura enigmática de Melquisedeque, descobrem-se as figuras que encarnam as três grandes confissões do Livro: um judeu, um muçulmano e um cristão. Assim propagandeada, a missão ecuménica que a Ordem de Cristo herdou do Templo torna-se indiscutível.»

 

 

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