+ Missão

+ A Fundação

+ Departamentos

+ Publicações

+ Eventos

+ Visitas de Estudo

+ Projectos Humanitários

+ Protocolos Institucionais

+ Contactos

+ Ligações

 

"Defesa e Divulgação da Língua
 e Cultura Portuguesa"

 

Espirituais Portugueses
Antologia

 » voltar para Publicações

03









COLECÇÃO LUSÍADA
Nº 3 | 232 páginas | 1991
Formato: 160 x 230 mm

P.V.P. 20,00€
Encomendar


«Nos nossos dias, em que tudo no Mundo, tal como uma conspiração demoníaca, ameaça em permanência a interioridade do homem e a sua própria valorização, extraindo-o (ou distraindo-o) de si mesmo, destruindo sua vida interior, como seu direito à possessão de um espaço, tempo e silêncio próprio, ou direito seu à possessão de uma personalidade própria e diferenciada - desde as formas delirantes de uma sociedade de produção, e consumo, até às formas exclusivamente sociais de relação pessoal, substituindo a vera comunhão, a fraternal, pela promiscuidade, vazia e destruidora - esta reapossessão do homem, será a maior conquista (ou reconquista) que agora nos nossos dias lhe urge efectuar.

Extraído de si mesmo, violentado e desintegrado pelas inúmeras forças físicas que ele, inconsiderada e imaturamente, pôs em movimento, sem que em si possuísse ainda as forças espirituais contrapolares e controlantes, o homem é agora nos nossos dias, e também pela primeira vez, ao cabo de decénios de euforia e ilusão numa civilização de ideal único no bem-estar e progresso material ilimitado, consciente de que só um conhecimento de detenção por ele, destas forças espirituais em si interiores e o seu uso pleno, na sabedoria, o poderão fazer de novo integrar-se em si mesmo e integrar-se no Mundo.

O homem actual, e em especial agora, o homem português, olhando à sua volta um mundo devastado, e dentro de si uma alma devastada, ele vê que só a negação total e absoluta, por abandono, desse ideal que conduziu e moldou a sua civilização ocidental nestes dois últimos séculos e predominantemente, neste século, em delírio terminal, o poderá fazer sair do caos que ele próprio criou: ou loucura. Mas as forças do caos, como estado de desintegração derradeiro, ou estado do informe e indiferenciado, do nosso mundo e da nossa alma actual, e que, na nossa referência nacional se fizeram sentir em toda a violência máxima nos últimos anos, agindo através da terra e da alma portuguesa, anunciarão e proporão - e cremos, muito em especial ao homem português - uma sua nova integração e criação.

E então também pela primeira vez, a alma do homem ocidental e especialmente, do homem português, estará verdadeiramente madura para se unir à alma do homem oriental: agora só ele poderá também verdadeiramente aprender com este, o que aqui no Ocidente há muitos séculos teria desaprendido ou esquecido: o uso pleno e consciente destas suas forças interiores; e a valorização para si e para o Mundo, do que significa uma auto-realização: como atingimento, em plenitude, da detenção e uso, dessas forças: a sabedoria.

Agora, se aproximará uma nova descoberta do caminho marítimo para a Índia, a ser aberto ainda por nós, mas como «uma Índia nova, que não existe no espaço». E dela também, agora traremos outras especiarias, supraterrestres.

E a final realização do homem integral, em corpo, alma e espírito, será possível no Ocidente, de novo.

Porque, tudo levará a crer, quando nos curvamos sobre a tradição portuguesa e a sua obra no Mundo, que aqui entre nós existem raízes ou sementes que, pela sua especificidade e singularidade, e ainda, pela sua persistência e perenidade intocável, no meio e através dos séculos da civilização da Idade Moderna, no contexto e vivência da restante Europa, poderão em si conter poder alimentador e germinante para essa criação do novo homem ocidental. E ainda, para sua possível união com o Oriente. União que seria talvez a ideia mestra e condutora da Ordem de Cristo, na sua ideação, organização e acção da primeira fase dos Descobrimentos.

Entre nós, a capacidade de fusão com a realidade absoluta, teria, desde o fundo dos tempos a nós testemunhados pela escrita, tomado certas formas específicas, ou preferidas: como capacidade poética de fusão através da Natureza, ou da Mulher, pelo amor; ou ainda através da saudade e da profecia. Todas elas, dando ao homem português, essa capacidade de se unir com a Realidade, que será transmutar seu Eu individual no Eu absoluto.

Serão os poetas, os amantes, os homens saudosos, os profetas, aqueles que, na espiritualidade portuguesa, mais fundo e universalmente (em toda a sua essência nacional), manifestaram esta capacidade de, em momentos mais ou menos longos ou em total actualização, o homem atingir desde já e aqui, a sua imortalidade.

A vivência da Natureza, do amor, da saudade e da profecia (estas como fusão do passado e do futuro, ou actualização do tempo absoluto, como eterno presente), surgindo como vias eleitas por excelência da imortalização do homem português, será por elas que ele preferentemente atingirá o estado de identificação derradeiro que, fazendo-o transcender-se a si mesmo, o liberta, levando-o para além de seus limites próprios individuais, humanos e mortais.»

 » voltar para Publicações                                                                                                                            » voltar ao topo