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"Defesa e Divulgação da Língua
 e Cultura Portuguesa"

 

António Braz Teixeira
Deus, o Mal e a Saudade

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05






Estudos sobre o pensamento português
e luso-brasileiro contemporâneo

COLECÇÃO LUSÍADA
Nº 5 | 248 páginas | 1993
Formato: 160 x 230 mm

P.V.P. 15,00€
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«Para quem não se encontre devidamente familiarizado com as obras mais significativas e valiosas do pensamento português contemporâneo e com os temas que, com maior frequência e profundidade, delas têm sido objecto de consideração especulativa, o título da presente colectânea poderá afigurar-se insólito, por não lhe ser dado vislumbrar o intimo nexo que liga a ideia de Deus, o conceito de mal e o sentimento da saudade, ou ser levado a admitir que os estudos que a compõem se reportam mais ao domínio da imaginação poética do que ao da reflexão filosófica.

A adequada compreensão da filosofia portuguesa e, em certa medida, também de algum do mais relevante pensamento brasileiro, requer um conceito de filosofia e da razão filosófica diversos dos acolhidos pelas correntes da filosofia estrangeira entre nós mais divulgadas e apresentadas como se fossem a única filosofia e toda a filosofia.

Importa, antes de mais, partir de um conceito de razão que exceda os limites de um racionalismo fechado e formalista, apoiado unicamente nas ciências do mundo sensível e numa noção redutoramente empírica de experiência, e se abra ao essencial e irrecusável valor e significado gnósico da sensação, da intuição, do sentimento, da imaginação e da crença, reconheça que “há mais mundos” para além daquele que os sensos nos revelam e admita que a experiência humana assume múltiplas formas, desde aquela em que se findam as ciências, até à experiência estética, que as figuras e formas simbólicas propiciam, à experiência ética, que transcende lei, norma e mandamento, para encontrar nos valores e nos princípios o seu centro ou o seu objecto, e à experiência religiosa, que, partindo do numinoso dos mitos, ascende à sublimidade do sagrado e do divino ou se eleva à união mística.

Necessário é, também, atender a que a mais autêntica origem da interrogação filosófica se não encontra no espanto ou na admiração perante a multiplicidade dos seres e a imensidão cósmica, pois que ambos são ainda do domínio meramente psicológico e limitadamente humano, mas sim no plano ontológico mais radical do enigma ou do mistério, no qual e pelo qual todo o ser e toda a verdade, em instantânea visão, simultaneamente, se ocultam e patenteiam ao espírito do homem.

É, precisamente, no enigma ou no mistério da origem, que, para o sentir e pensar dos portugueses, Deus, mal e saudade encontram a sua essencial relação, pois é do que real ou simbolicamente se designa por queda ou, em religiosa linguagem, se denomina pecado original, que o mal e o sentimento saudoso procedem. Se o primeiro, enquanto ausência, privação ou recusa do bem e realidade originariamente humana que afecta toda a natureza, instaura o tempo histórico, em que se manifesta sob as múltiplas formas de dor, de sofrimento e morte, a saudade, em sua essência metafísica, é lembrança ou reminiscência do Paraíso Perdido, que no desejo ou na esperança da sua recuperação encontra a causa do seu movimento unitivo ou religativo, no qual se anula, transcende ou resgata o tempo do homem e o mal que é a sua primeira origem.

Por seu turno, a ideia de Deus é o primeiro princípio e fonte de todo o princípio que confere sentido e valor a tudo quanto existe e possibilita o próprio filosofar, como amoroso e interminável esforço pela sabedoria que é, em si, o mesmo Espírito divino que, sendo a eterna e absoluta plenitude, só por analogia pode ser pensado pela razão humana. Singularidade do pensamento português tem sido o descobrir e revelar a profunda relação que une Deus, o ma1 e a saudade e, ao mesmo tempo, mostrar que foram outorgados à liberdade humana, assistida pela graça divina, os meios para minorar ou vencer o mal e contribuir para restaurar aquela original e fraterna harmonia entre todos os seres para que está ordenada toda a criação.»

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