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"Defesa e Divulgação da Língua
 e Cultura Portuguesa"

 

Colóquios
Sebatina de Estudos da Obra de António Quadros

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08




Vários Autores

Coordenação

Pinharanda Gomes


COLECÇÃO LUSÍADA
Nº 8 | 144 páginas | 1995
Formato: 160 x 230 mm

P.V.P. 15,00€
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«Assim, a fim de apreender a paideia portuguesa, justa e específica denominação que escolheu para conjunto de arquétipos eleitos e vividos por Portugal, como seu complexo mítico, o filósofo da sua história vai segui-la através de seus múltiplos avatares, sempre renovados embora sempre semelhantes a si mesmos: pois na sua eternidade se metamorfoseando no devir.

Havendo assim algo de acto de maiêutica dum mestre de portugalidade, no esforço de fazer lembrar e reconhecer a, e por, Portugal, como ser nacional específico, o que em si, no fundo de sua alma mais fundo, e dele esquecido ou refutado há muito, e agora mais do que nunca, esse ser encerra. Descer à sua razão primordial e justificadora, à qual se reportou através de seus tempos de formação e de plena realização, como modelo: e ao qual sempre terá de se reportar se não quiser destruir-se a si mesmo, como entidade própria. A esse modelo teria seguido quando de sua perfeita idealização e começo de realização, pelo par soberano, D. Dinis e a Rainha Santa Isabel; e depois, em completude, nos séculos XV e XVI, como ponto alto de sua cultura e civilização, ou tempo áureo.

Modelo ou conjunto de arquétipos postos em acção ecuménica na Descoberta e Missão, como manifestação plena das energias duma nação. Mas logo (por que mistério de predestinação?), seguido de sua queda no esquecimento ou abandono (ou somente ocultação?), então dita por um conjunto de arquétipos novos, reunidos no mitologuema do Encoberto: com ele, toda uma nação descendo às trevas do olvídio ou adormecimento, em passividade. Unicamente tentando erguer-se pela saudade e o messianismo, como forças futurantes.

A possibilidade de criação duma civilização incluída nesse complexo primordial de arquétipos portugueses, como sua paideia, realizada em acção histórica, a qual nesses séculos XV e XVI de seu climax (e não somente sonhada em sonho interior, como nesses posteriores séculos), seria assim cortada no seu possível desenvolvimento, nesses fins do século XVI de forma que nos surge como abrupta; tendo seu termo numa batalha perdida e logo depois seguida da perda de independência nacional, como ocupação castelhana. Que força maléfica teria provocado essa paragem? A voz dum profeta bíblico ou dum místico, lhe chamaria cólera de Deus. De que a Inquisição, Alcácer Quibir, e período filipino, seriam tão somente seus efeitos.

É toda a forma original detectável e oculta e o longo desenvolvimento deste conjunto de mitologuemas, o que António Quadros, através de sua longa obra duma vida inteira e particularmente do tríptico inacabado, Portugal Razão e Mistério, desocultará perante nós, como portugueses que deixaram cair esses mitologuemas no olvídio. Para isso, este fiel filho de Portugal, os irá seguir, desde o primeiro testemunho, o arqueólogo dos tempos megalíticos e depois o primeiro da proto-história, o périplo da Ora-Marítima; e ainda o dos Diálogos de Platão, Timeu e Crítias que nos falam da Atlântida, e onde também já estavam ditas as mais peculiares marcas duma identidade nacional: como atlântica, ofidiana, ctónica, profética e missionária ecuménica, formando assim esse misterioso complexo mítico duma futura nação: e que depois, António Quadros, ao longo dessa derradeira obra de sua vida terrena, continuará a seguir nas suas diversas repetições, até a Águia e Orpheu , Exílio e Reencontro.

Assim, trazendo-o à luz, desde as origens, como germen duma nação, o filósofo da História de Portugal nos falará da Atlântida, como terra primeira, dos directos antepassados dos portugueses, de Ofiussa, terra serpentária e profética, de mortos e necromância, que depois assim perdurará durante milénios, na brilhante civilização megalítica, de carácter expansionista missionária: e que também assim depois, sob a égide dos templários, ou cavaleiros-monges da Ordem de Cristo, e dos Franciscanos, se realizará supremamente em amplitude ecuménica. Nação sob os signos da Mãe, da Água e da profecia, que na Idade Média, se traduzirá pelo portentoso arquétipo do Graal, do adivinho Merlin, de Amadis de Gaula, donzel do mar e da procura das ilhas paradisíacas. Signos que já desde a Fundação, se teriam unido, nessa sua essência feminina e ctónica, a essência masculina e celeste, na aparição de Cristo ao seu primeiro Rei: como começo verdadeiro de Portugal, na sua perfeita complementaridade humano-cósmica; e de que posteriormente o seu desenvolvimento na história surge como exemplo vivo e perfeito: O Império Segundo Dinis e Isabel, O Império Segundo Avis, sendo seus pontos altos.

Mitologia e História estando inseparavelmente unidas na existência de Portugal: assim as viu António Quadros; como expressão duma civilização marcadamente peculiar no contexto europeu a que pertence: desde a sua primeira expressão e posterior e incessante criação através do devir; e assim a seguiu e apreendeu, pela intuição e razão, em dedicado amor à pátria, este excelso português.»

 

  Dalila Pereira da Costa

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