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"Defesa e Divulgação da Língua
 e Cultura Portuguesa"

 

Álvaro Ribeiro
Cartas para Delfim Santos 1931-1956

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18



Prefácio
António Braz Teixeira

Organização, introdução e notas
Joaquim Domingues


COLECÇÃO LUSÍADA
Nº 18 | 211 páginas | 2001
Formato: 160 x 230 mm

P.V.P. 15,00€
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«As 86 cartas que, no quarto de século que vai de 1931 a 1956, o filósofo de A Razão Animada dirigiu ao reflectido e bem informado autor de Situação Valorativa do Positivismo, e que aqui se reúnem, permitem não só reconstituir o fraterno diálogo especulativo entre os dois sérios e exigentes pensadores, de que, recentemente, fora dada a conhecer a parte correspondente às 61 cartas que, de Outubro de 1928 a Abril de 1956, Delfim Santos remeteu a Álvaro Ribeiro, como, ainda e principalmente, aceder a aspectos ignorados ou ainda muito mal conhecidos da evolução filosófica deste último e a profunda “metamorfose espiritual” por que passou em meados dos anos 30.

O conjunto epistolar cobre três fases, de extensão e de importância desigual. A primeira, correspondente aos anos de 1931 a 1935, diz respeito à fase em que Álvaro Ribeiro, transferido para Lisboa após a licenciatura, procura sem êxito entrar na vida profissional, enquanto Delfim Santos, permanecendo no Norte (no Porto e em Coimbra), faz o estágio e entra na actividade docente. É a fase predominantemente política da Renovação Democrática.

A segunda corresponde aos anos de 1936 a 1942, em que Delfim cumpre em Viena, Berlim e Londres o percurso ditado pelas bolsas de estudo que solicitou e acabaram por afastá-lo do caminho que aspirava seguir. O amigo, que permanece em Lisboa, vai-o inteirando do que se passa na vida cultural portuguesa, em particular lisboeta, e da complexa evolução pessoal que segue até encontrar a pessoal via filosófica. Enfim, a terceira, a menos extensa em páginas e menos rica em conteúdo, acompanha os anos em que, instalado já em Lisboa Delfim Santos, os encontros pessoais terão substituído a relação epistolar.»

    J. Domingues


«Num artigo publicado na FAMA, Fernando Pessoa nota que os políticos em Portugal só têm ideias sobre política, e que os artistas nem sobre arte as têm. O artigo é curioso. Ora há uma certa relação entre a incultura do político e o cientismo: o político recebe a estreita educação do cientismo pois que aqueles que são iniciados na arte, na filosofia ou na religião tendem a abandonar a política. Especializam-se, separam-se, encaram todas as disciplinas como técnicas. A cultura jurídica em Portugal também é cientismo. Provenientes da Faculdade de Medicina, de Ciências ou de Direito, os políticos receberam educação cientista. Ora é o cientismo que os leva ao anticlericalismo, ao marxismo, e às doutrinas de violência. Ligados ao cientismo vão o evolucionismo e o historicismo: derrota da ideia de liberdade.»

«A nossa época é anticartesiana. Há em Descartes um ideal de inteligibilidade. Parece-me, porém, fecharse o seu ciclo de cultura. A física e a biologia têm contribuído para isso. E se em Descartes há um medieval, como quer Gilson, um racionalista medieval, não me admiro de que V. vá da biologia a Aristóteles. O que não compreendo é o seu afastamento de Platão. Se há óculos aristotélicos dos tomistas há também óculos agostinianos…

Não me admiro, portanto, que V. discorde do meu humanismo socrático. E a ideia de criação? Admite-a?

Mas... é melhor reprimir tendências polémicas.

Estou com curiosidade de ler Duhem. E, claro, de melhor conhecer a cultura medieval.

Todo o ensino oficial - das nossas escolas aos livros franceses - é deturpado pela mentalidade burguesa.


Não será a Era burguesa uma noite, embora iluminada artificialmente?»

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