+ Missão

+ A Fundação

+ Departamentos

+ Publicações

+ Eventos

+ Visitas de Estudo

+ Projectos Humanitários

+ Protocolos Institucionais

+ Contactos

+ Ligações

 

"Defesa e Divulgação da Língua
 e Cultura Portuguesa"

 

Dalila Pereira da Costa
Portugal Renascido

 » voltar para Publicações

21







COLECÇÃO LUSÍADA
Nº 21 | 196 páginas | 2001
Formato: 160 x 230 mm

P.V.P. 15,00€
Encomendar


VIA AO SUPRAHUMANO

«Porque urge agora ultrapassar nossa condição humana. Se lermos essas nossas aventuras marítimas dos velhos códices, em busca do paraíso terrenal, vemos que todos seus guias, mulheres sábias ou anjos, só ensinavam esse seu caminho àqueles homens que ousavam ser mais do que homens, serem santos. Assim como na Aventura dos Descobrimentos, ser-lhes-ia pedido condição semelhante de ultrapassamento, serem heróis: “mais do que permitia a força humana” (Camões). E é ainda a mesma exigência a que agora será pedida aos portugueses no futuro próximo: assumirem essa suprahumanidade, já proclamada e pedida pelos mestres de A Águia, ainda uma vez mais lembremos. Ao ultrapassar nossa condição decaída, tal os santos e heróis, agora como fracos mortais, nos será necessário valorizar aqueles momentos raros e preciosos de nossa vida, nos quais já gozamos o gosto da imortalidade; acordando deste sono terreno actual e atingindo o alargamento perfeito de nossa consciência e amor: o que sempre deverá ser a meta a guiar-nos nesta vida. E será para esta meta, por um caminho real de interioridade, que se iniciará em nós e entre nós, a vinda do Espírito: então também iniciando-se nossa vera liberdade, como futuro grande passo de nossa progressão sobre a terra: a maior depois de 30 milénios passados, desde o paleolítico superior. E assim cumprindo mais este passo, estaremos seguindo no caminho que levará à essência a cumprir do mais perfeitamente desde nossa criação: sermos à imagem e semelhança de nosso Criador. Grande mutação antropológica, e teológica nas suas consequências. Depois da tentativa de progresso por esse outro caminho falso e frustrante, do unívoco material, já proclamado e usado na ilusão do séc. XIX e neste XX, em sua plena manifestação, como poder prometaico levando à destruição da terra e ameaça de iminente destruição da humanidade.

Nestes nossos dias, dado este perigo posto perante nossos olhos, e dado que as forças materiais foram impunemente e imprudentemente desencadeadas e manipuladas na sua prática, em alta tecnologia com aspectos de magia, entre as mãos de uma humanidade imatura e massificada e não por uma élite responsável, sabiamente controlada, tal como outrora, é sentida a premente necessidade de finalmente criar forças espirituais que contrabalancem, e limitem essas outras postas à solta num uso indiscriminado; e agora em acção altamente destruidora em toda a sua amplidão anárquica. Forças espirituais que cada homem por si e em si, numa sociedade futura necessariamente hierarquizada (tal como foi a sociedade indo-europeia a que pertencemos), deverá criar, readquirir no mais fundo do seu ser: unindo seu interior ao interior do mundo, como coração com coração. Reintegração suprema antropocósmica, tal como a que marcou essa nossa sociedade no passado, assim como todas as outras tradicionais. Em alta organização e não em massificação realizada pelo baixo, como a actual.

Retomando então esse esquema abandonado, cada homem atingirá, numa metamorfose futura, desde logo a vera singularidade que lhe pertence na sociedade, e a vera liberdade que lhe pertence também, como filho de Deus. Ultrapassando assim o estado de sonolência, orgia e manipulação, como formas de apagamento de sua singularidade e liberdade; manipulação realizada por todos, a todos imposta; tal como no Baixo Império Romano, época como a nossa, de morte e não de vida; quando também à diversidade própria das altas épocas de cultura, se substituiu a monotonia de uma planificação do humano por seu mais baixo nível. Tudo como manifestações de época de fim de mundo, esgotamento, decrepitude de ciclo histórico.

Nesta nova liberdade que se espera, então também os novos portugueses poderão criar para si, sua nação e o mundo, nova cultura e civilização, em vida verdadeira. Para essa revolução, nossa e da humanidade, desde então criadora de vida, urgirá esse acto secreto de interiorização de cada português para o atingimento de sua perfeita maturidade e assim, de sua liberdade; levado a cabo pela ascese, como acto penitencial, oposto à dispersão, hedonismo e irresponsabilidade desta escravidão actual. Completando-o ainda com o sábio gesto de unir princípio e fim. E em relação à sua nação, descendo a seus arcanos criadores, como matriz de sua sabedoria perene, e com eles e por eles, criarem o futuro. Então de novo os portugueses poderão criar para sua nação outra Descoberta. E simultaneamente o falso progresso tecnológico imperante, cairá a seus pés como ideal cediço oitocentista: no qual os portugueses e a humanidade actual se perdem na sua acção e vida, descontrolada e ilusoriamente, como suprema forma de hybris, a própria da alma do moderno Ocidente. Então também, depois, a consciência de cada português se identificando finalmente à de sua nação, ambas há tanto tempo e maleficamente, desunidas; e também a sua preciosa singularidade, adquirirá sua dimensão mundial, tal como na época da Descoberta.

O vero eu de cada português e o vero eu de Portugal, que existem e assistem no mais secreto de ambos, como pessoal e pátrio, seu eu eterno, angélico, se desocultarão e agirão depois de, passo a passo, nesse longo caminho de ascese, ou subitamente por metanóia, se terem ultrapassado os sucessivos planos ascendentes do Ser.»

 

 
 » voltar para Publicações                                                                                                                            » voltar ao topo