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"Defesa e Divulgação da Língua
 e Cultura Portuguesa"

 

Paulo Mercadante
A Coerência das Incertezas

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25




Prefácio
Olavo de Carvalho


COLECÇÃO LUSÍADA
Nº 25 | 319 páginas | 2002
Formato: 160 x 230 mm

P.V.P. 20,00€
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PREFÁCIO

«Quando levada às suas últimas consequências, a história das mentalidades desemboca na história do subconsciente, que é, a fortiori, o subconsciente da história. Por baixo das ideologias, começa a revelar-se a camada mais decisiva e misteriosa dos nexos sutis entre a história linear e o tempo cíclico do mundus imaginalis, a esfera dos símbolos, mitos e imagens primordiais que, desaparecendo e aparecendo à superfície dos factos com regularidade assustadora, parecem constituir algo como o quadrante onde se movem os ponteiros da história.

A partir dos anos 60, esse domínio, que mui apropriadamente recebeu o nome de meta-história, foi despertando a atenção de notáveis pesquisadores em todo o mundo. Henry Corbin, Jean-Charles Pichon, Eric Voegelin, Raymond Abellio mostraram que as relações entre história e mito não se explicavam pela mera distinção grosseira da infraestrutura material e da superestrutura ideal a que as tinha reduzido a mistura de marxismo e positivismo, dominante nos meios académicos desde o século passado e hoje, felizmente, moribunda. Muitas vezes, os mitos pareciam prefigurar a história, determinando de algum modo o seu curso: longe de serem puras criações dos homens históricos, eles tinham uma força criadora e determinante por si próprios. A sua presença activa, encoberta pela sucessão dos factos políticosociais, revelava-se de tempos em tempos pela recorrência dos mesmos símbolos, das mesmas imagens, que, emoldurando o imaginário dos personagens, determinavam invisivelmente o curso dos seus pensamentos e das suas decisões. Foi ao estudo dessa ordem de coisas que Mercadante, isolado da tagarelice ambiente, se dedicou cada vez mais.

A essa ciência misteriosa e desafiadora, Mercadante acrescentou, porém, uma ênfase nova e pessoal, derivada dos estudos de ciência física que, desde a juventude, o ocuparam apaixonadamente. Isso permitiu que ele se integrasse, como portador de uma contribuição bastante original, numa linha de investigações que, no mundo, é ainda nova e mal compreendida e, no Brasil, é radicalmente ignorada pelo establishment universitário. Vamos defini-la. À medida que no campo das ciências humanas se desmoralizava as noções de progresso linear e de causalidade predominante, dissolução similar sofria, na ciência física, o determinismo mecanicista. A constatação desse duplo fracasso abriu para alguns estudiosos um campo de trabalho que é hoje o mais promissor de todos: a investigação das analogias entre causalidade física e causalidade histórica, ambas compreendidas segundo uma matriz quântica e indeterminista. Tal é o tema das investigações que, referidas especificamente à fenomenologia histórica luso-brasileira, Paulo Mercadante nos apresenta neste livro extraordinário.

Nesse campo, os símbolos, surgidos do impacto das percepções sensíveis sobre a memória e a imaginação, aparecem como condensados de experiências e de expectativas, formando uma espécie de substracto imaginativo da inteligência racional. Assim, no domínio da acção colectiva, qualquer ideia, qualquer decisão remetem sempre a um fundo simbólico que as emoldura, limita e, até certo ponto, determina. Os símbolos pairam sobre a história como possibilidades de concepção que, em certos momentos, “descem” e se convertem em possibilidades de acção.»

 

  Olavo de Carvalho

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