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"Defesa e Divulgação da Língua
 e Cultura Portuguesa"

 

Carlos Aurélio
Mapa Metafísico da Europa

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27




Apresentação
António Telmo


COLECÇÃO LUSÍADA
Nº 27 | 280 páginas | 2003
Formato: 160 x 230 mm

P.V.P. 20,00€
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APRESENTAÇÃO

«Mas há também outras espécies de mapas a que de boa mente se deve dar o nome de cartas transcendentais. Os mapas traçam-se, depois de se terem conhecido as terras, os mares ou os céus, com maior ou menor rigor, rigor que vai crescendo na medida em que se vão sabendo aplicar os segredos matemáticos e geométricos da topografia. Ora, parece que é possível viajar por outras terras, mares e sob outros céus, se deste mundo em que nos movemos a custo nos soubermos alhear para contemplar em espírito e verdade. Só assim se explica que haja, para lá dos mapas vulgares, outros em que se figura o desconhecido, ou se preferirdes, que haja roteiros que indiquem, para quem saiba interpretá-los, como é o mundo à luz do sol divino. Este mesmo mundo.

Um destes mapas ou roteiros, talvez o mais famoso, é o das sephiras. Os esoteristas, os falsos e os verdadeiros, conhecem-no pelo nome de árvore ou balança das sephiroth. É preferível designar as sephiroth, palavra hebraica, por sephiras, um neologismo que cabe aceitar porque, pela forma e pela matéria ou, como dizem os anti-aristotélicos, pelo significante e pelo significado, é analógico da palavra safiras.

Foi esta carta transcendental, este mapa do invisível que Carlos Aurélio sobrepôs ao mapa da Europa e assim por esse modo o pôde ver como um mapa metafísico.

Estas meditações constituem uma das obras primas da prosa portuguesa, digna de figurar numa antologia do nosso pensamento místico. Cumpre-se em Carlos Aurélio aquilo que é pouco comum entre os pintores, a de serem simultaneamente com a pintura artistas da palavra e do pensamento. Almada Negreiros e Lima de Freitas constituem, entre nós, os melhores exemplos de tão rara associação.

Enquanto estes dois mestres, companheiros na arte de pensar, se preocuparam com determinar as relações secretas da aritmética com a geometria, quarta e quinta ciências na escala pitagórica septenária, Carlos Aurélio, mais fascinado pela beleza do mundo terrestre, pelo mistério dos rios e dos mares, dos vales e das montanhas, das estepes e das florestas, prefere utilizar a sabedoria pitagórica, que bebeu na mesma fonte, pelo estudo metafísico da geografia, isto é, ligando a quarta e a quinta ciências à sexta e à sétima.

Voltamos assim ao ponto de partida desta apresentação. Mas uma surpresa nos espera. Pela magia do desenho, o mapa da Europa, olhado como por Fernando Pessoa e Luís de Camões do Oriente para o Ocidente, transforma-se numa bailarina e essa mesma bailarina, tocada pela magia de um alemão, transformase numa princesa coroada em que a coroa é Portugal Por fim, eleva-se da terra ao céu como Nossa Senhora da Esperança.»

 

  António Telmo

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