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"Defesa e Divulgação da Língua
 e Cultura Portuguesa"

 

A. Rêgo Cabral
De Religiões - Na Pista do
Livro Terceiro de António Damásio

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32







COLECÇÃO LUSÍADA
Nº 32 | 201 páginas | 2005
Formato: 160 x 230 mm

P.V.P. 20,00€
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«Para a esmagadora maioria dos cientistas, o conceito de vida é uma noção incontroversa que abrange, apenas e só, as existências que (à semelhança dos vírus, das bactérias, dos celenterados até aos peixes, das algas até às ervas e às árvores, dos insectos até aos répteis, das aves e dos mamíferos) utilizam àcido nucleicos na transmissão de hereditariedade...

Proteínas como enzimas no controlo da química das respectivas células... Servindo-se todas do mesmo, do mesmíssimo código genético na tradução das informações dos ácidos referidos em correspondentes de proteínas - vectores e actores do prodígio que a vida é.

Porém, do exarado, tem de concluir-se que entre vírus, bactérias, algas, ervas, etc., etc., até aos humanos, há uma unicidade basal; uma irmandade longínqua; uma identidade genesíaca que atesta, garante, que todos, todos aqueles existentes (designados seres-vivos) tiveram uma única, uma só ancestralidade inicial, muito, muito distante.

Por outras metáforas, pois vale a pena insistir: Os seres-vivos, todos os seres-vivos, por verazes descendentes directos da mesmíssima mater e do mesmíssimo pater iniciais (as partículas e os acompanhantes evidenciados em 01.02) são mesmo-mesmo irmãos... Como, curiosamente, muito curiosamente, desde há milénios, todas, todas, todas as religiões vêm doutrinando e postulando, explícita e implicitamente.

Posto isto, uma ideação incómoda, inevitável: uma vez que as partículas e os acompanhantes evidenciados em 01.02 estão igualmente na base dos metais, das rochas, dos planetas, das estrelas, das galáxias e de todos os demais corpos celestes ditos activos e não-activos (os quais, seguramente, não utilizam ácidos nucleicos nem proteínas na regência das respectivas engendrações, seus desenvolvimentos, seus réquies e suas continuidades), os chamados seres-vivos e estes outros (que “vivos” cientificamente não podem ser) quer se queira ou não queira, são mesmo-mesmo, ab origine, irmãos genuínos uns dos outros e entre si...! Quer se queira ou não queira, insisto.

Por outras palavras e mais agreste desnudagem: Nós somos irmãos genuínos de não apenas vírus, bactérias, celenterados, algas, ervas, árvores, peixes, insectos, répteis, aves e todos os mamíferos..., como ainda, e tal-qualmente, dos metais, das rochas e dos planetas, etc., etc., - como também desde há milénios as religiões propriamente ditas, sem discrepâncias fundamentais, continuamente, vêm doutrinando e postulando em milhares e milhares de idiomas, carizes e éticas, que os imperativos das circunstâncias geoclimáticas e idiossincráticas lhes foram determinando.»

 

 

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