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"Defesa e Divulgação da Língua
 e Cultura Portuguesa"

 

Alfredo Ribeiro dos Santos
Perfil de Leonardo Coimbra

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COLECÇÃO PERSPECTIVAS

Nº 3 | 194 páginas | 1998
Formato: 120 x 190 mm

P.V.P. 12,00€
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«Quando Leonardo Coimbra toma a direcção da Faculdade de Letras do Porto tem 36 anos, e uma bela figura atlética, pujante de vida, tez morena, larga fronte, farta cabeleira negra e olhos castanhos, “duma melancolia profunda, embora vivos”, como o descreveu o seu discípulo Sant’Anna Dionísio. Presença dominadora e insinuante, impossível de esquecer.

Raras vezes se juntaram as qualidades de atracção pessoal e de inteligência cintilante com o poder de comunicação de pensamento, portentoso de saber, pela palavra vigorosa e arrebatadora.

Já publicara uma parte significativa da totalidade da sua obra filosófica. À frente da sua mais importante realização, a Faculdade de Letras do Porto, está um Leonardo no apogeu da sua vida de pensador.

Embora enigmático e estranho, tornava-se afectuoso e, por instintivo convívio, revelava-se naturalmente bondoso e natural. Leonardo Coimbra era um optimista, uma alma generosa e leal.

Ao mesmo tempo, exibia uma irreverência à altura da pujança da sua personalidade, tornando-se um espírito satírico e mordaz sem, contudo, descer ao ataque pessoal, ao insulto ou à violência.

A Faculdade de Letras do Porto reflectia o valor do pensamento de Leonardo Coimbra e, embora despertasse algumas animosidades duma geração de jovens, sob a influência do Mestre e do ambiente criado à sua volta, dela sairia uma plêiade de figuras notáveis na cultura portuguesa.

Álvaro Ribeiro, discípulo de Leonardo, dá-nos estes testemunhos: “De Leonardo Coimbra se poderia dizer o que foi dito de Antero de Quental, a saber, que a acção comunicativa da sua palavra filosófica parecia ter o condão de abrir a inteligência de quantos o ouviam, como se também fossem como o poeta, homens superiores. Mas se o grupo dos colaboradores de A Águia tinha o seu Antero de Quental, também era dotado do seu Teófilo Braga, pois seja dito que a erudição séria, exacta e ampla do professor Teixeira Rêgo fazia o contraponto grave, terrestre e humano de todas as investigações tendentes para uma conclusão angélica ou divina”. O ensino na Faculdade de Letras do Porto não podia deixar de se reger pelas normas pedagógicas oficiais, com que Leonardo não concordava e só formalmente cumpria.

Sendo Leonardo o primeiro tribuno, entre os professores da Faculdade, “era nas aulas, ao exercer a função docente, que a palavra do orador influía melhor na intimidade das almas. Falando para poucos estudantes - dez a vinte na maior parte dos casos - exercia uma acção de pessoa a pessoa, o que lhe permitia conhecer o nome próprio dos alunos que, aproximados do mestre, formavam como que um círculo de convívio familiar” […]. A didáctica era, para Leonardo, o diálogo. Conhecedor das propensões ideológicas dos que, por comportamentos pessoais, se distinguiam dentro da turma, invectivava-os mediante a figura retórica da prosopopeia, imaginando uma controvérsia possível com o jovem pretensioso das suas opiniões ingénuas”.

O diálogo continuava em grupo de alunos que espontaneamente seguiam o Mestre, atraídos por interesse e admiração, pelas ruas a caminho da sede da Renascença Portuguesa, convertida em centro de convívio, ou para tertúlias que se formavam nos cafés - Excelsior, Magestic e Sport ou, ainda, na Livraria Lello. Aí o filósofo dava largas à crítica e à irreverência e podia, à vontade, refutar o Positivismo, enquanto ele foi o fundamento ideológico do regime republicano.

E o testemunho do discípulo termina deste modo: “Todos quantos tiveram a felicidade de ouvir, surpreendidos, as palavras admiráveis dos verdadeiros mestres, guardavam para sempre na alma aquela gratidão que parece inexplicável a quem não estudou na Faculdade de Letras da Universidade do Porto […]”.»

 

 

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