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"Defesa e Divulgação da Língua
 e Cultura Portuguesa"

 

Joaquim Braga
Aforismos e Ensaios Filosóficos

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COLECÇÃO PERSPECTIVAS

Nº 6 | 149 páginas | 2002
Formato: 120 x 190 mm

P.V.P. 12,00€
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«Podemos ir longe, por vezes há necessidade de ir longe; mas não demasiado longe, por causa da NEMÉSIS, a deusa grega, acerca da qual nos informa Pausânias (geógrafo e historiador). Mas os navegadores portugueses foram bem longe, para além dos limites de antigos medos. Eles desafiaram a deusa grega.

***

A sensação de infinito maravilhoso domina-nos, na noite escura, coberta de céu com estrelas, numa perspectiva transcendente do real, que se impõe à nossa mente e sensibilidade estética. E comungamos na religião dos astrónomos e dos primeiros pastores, que também foram pastores de estrelas e poetas, ou profetas. Sentimos quanto estamos próximo e longe do Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis. Contemplar e meditar.

***

Uma educação naturalista para tornar as pessoas melhores (exemplo: como as aves fazem os ninhos).

***

O que está no fim vem desde o princípio. *** Quando o sentimento de interioridade (= contemplação interior) é igual ao sentimento de exterioridade (= contemplação exterior), o que contempla tem o sentimento de unidade.

***

A paz é divina.
A guerra é infernal.
A liberdade é divina.
A opressão é diabólica.
O pão é sagrado.
O amor.

De qualquer forma, e apesar das circunstâncias históricas, foi com os filósofos escolásticos conimbricenses, comentadores de Aristóteles, que começou o ensino e questionamento da filosofia em Portugal. E, portanto, é daí que se tem de partir (sem esquecer as “teses proibidas”), quando se questiona, ou equaciona, a existência da filosofia em Portugal, ou da filosofia portuguesa, ou dos filósofos portugueses, mesmo que depois se tenha de recuar aos monges cistercienses de Alcobaça, e até Pedro Hispano e Santo António, e sem nos esquecermos do rei Dom Duarte, ainda situado no terreno comum da cultura e da filosofia.

Lopes Praça, que na sua História da Filosofia em Portugal, inclui referências críticas de Brucker e de Barthelemy de Saint-Hilaire aos Comentários do Colégio Conimbricense dos jesuítas portugueses, apesar de notar o lugar secundário da nossa filosofia, não deixa de chamar a atenção para o facto de que “nos temos esquecido de fazer valer os nossos direitos”. E, criticando os termos da apreciação que Brucker faz dos Conimbricenses, adianta que os comentadores conimbricenses “estudaram o original de Aristóteles à luz de todos os seus intérpretes que espalharam a luz do método e a clareza do estilo sobre os mistérios das abstracções escolásticas e que devem ser considerados como os representantes mais perfeitos e beneméritos de toda a Filosofia da idade média”. Acrescentando: - …“Estas palavras são filhas de uma convicção. Acreditamos, sinceramente, nas palavras de Leibniz: a Filosofia da Península Hispânica pagará abundantemente as vigílias de quem a puder estudar e a compreender.”

Quanto à crítica de Barthelemy de Saint-Hilaire aos Coimbrões, que mereceu os encómios de Lopes Praça, embora aquele filósofo francês nos diga que nas obras daqueles nada há de profundamente original, nota também que essa ausência de originalidade lhes confere um carácter próprio, de fidelidade à tradição peripatética, ou aristotélica. E chama-lhes “os representantes fidelíssimos da tradição”, admirando nos comentadores Coimbrões, o aprofundamento de todas as questões levantadas pela escolástica a respeito dos princípios aristotélicos, além de sublinhar ainda o rigor com que o fazem, e dando-lhes soluções próprias.

Ainda acerca dos Conimbricenses, transcrevemos um texto de Ferreira Deusdado (in Filosofia Tomista em Portugal, Lovain, 1898) que se nos afigura digno de nota:

- “O Dictionaire des Sciences Philosophiques de Adolfo Franck contém sob a rubrica “Coimbra” um artigo notável. Sublinha que não deve confundir-se a Universidade deste nome com o Colégio que os Jesuítas fundaram na mesma cidade. Somente o Colégio seria célebre em filosofia.

“Foi o primeiro que os Jesuítas possuíram em todo o mundo, e jamais eles tiveram outro mais distinto e importante”. O artigo contém os nomes dos seus ilustres professores e dá a conhecer as respectivas doutrinas. Não fosse este Colégio, os nomes de Pedro Hispano, de Francisco Sanches e mesmo de Portugal não figurariam no citado dicionário filosófico.

“Portugal tem incontestavelmente direito a mais deferências no aspecto do desenvolvimento das ideias filosóficas na Europa. No seio da filosofia moderna encontram-se dois nomes portugueses que contêm a síntese das orientações do pensamento: Francisco Sanches e Uriel da Costa (Acosta).”

E agora me recordo de se dizer, ainda em minha juventude, e, significativamente, fora da escola, que o professor/ filósofo Joaquim de Carvalho, se emocionava quando falava acerca de Espinosa e da sua filosofia, na Universidade de Coimbra. Esse mesmo Espinosa que polia lentes, como forma de subsistência, cujos pais eram judeus portugueses, que haviam sido expulsos de Portugal, devido à intolerância de reis cristãos da Península Ibérica, tendo ele, por sua vez, sofrido a expulsão e excomunhão da sinagoga de Amesterdão, devido à intolerância de seus confrades judeus.

Ainda acerca de Espinosa, dizia-me, em tempo, o artista pintor Estevão Soares, citando de memória, que Van Loon, escrevendo sobre a “vida e época de Rembrandt” (1606-1669), pintor holandês, de quem o avô do escritor teria sido médico, informava que este havia deixado escrito, em seus papéis, o seguinte:

- “Estive hoje em casa de Rembrandt. Estava lá Spinoza; gostei de o ouvir falar, ainda naquele doce linguajar de português”.»

 

 

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