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"Defesa e Divulgação da Língua
 e Cultura Portuguesa"

 

Colóquio
O Messianismo Português

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COLECÇÃO PERSPECTIVAS

Nº 7 | 82 páginas | 2005
Formato: 120 x 190 mm

P.V.P. 12,00€
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«Conforme os pássaros sob a árvore do cristianismo, assim os nomes: Reino Messiânico, V Império, Terceira Idade ou do Espírito Santo, Milenarismo, Ilha dos Bem Aventurados, Parusia, enfim, sendo vária a tradição […].

Eis como o visionário da Companhia de Jesus completa a profecia de Daniel: no sonho do rei, a estátua gigantesca tinha a cabeça de ouro fino do primeiro império dos Assírios (a que aqui podemos juntar os Caldeus, ou Celtas como traduz René Guénon); o peito e os braços eram de prata e significavam o segundo império, o dos Persas; de bronze apareciam o ventre e as ancas, o misturado metal dos Gregos; o quarto império ainda vigora e é o dos Romanos, simbolizado nas duas pernas em ferro. Vieira é muito preciso e indica que pelas duas pernas se significam os dois impérios oriundos de Roma, o do Ocidente e o do Oriente; pelos dois pés e seus dez dedos, formados por metade em ferro e outra metade em barro, se simbolizam dez reinos da Europa cristã que àqueles impérios romanos sucederam. A mistura do ferro e do barro prova ora a firmeza ora a fragilidade do IV Império, o actual, cuja duração prevalecerá até ao Anticristo, imediato antecedente dessa formidável pedra que, desprendida da montanha, derrubará a estátua. A pedra é Cristo vinda da alta montanha que encherá toda a terra.

Convém pois que desçamos agora ao meio-dia para sondarmos pelo enigma do sul - ponto cardeal do solstício de verão e de S. João Baptista, o santo popular tão querido pelo povo português - para intuirmos por aí o mistério vislumbrado por António Telmo ao tanto significar Portugal pelo portal sul dos Jerónimos, no qual se perfila o eixo majestático que, do homem ao arcanjo Miguel, passa pela mediação de Nossa Senhora dos Reis Magos.

da caravela que é a Torre de Belém, para o sul olha a Virgem esculpida sobre o portal do Convento de Cristo em Tomar. Pelas três esculturas sagradas do manuelino contemplando o meio-dia, o que quereriam dizer os portugueses do reino de D. Manuel que conquistaram as cidades do sul? A linha que medeia entre o solstício de Dezembro, o de João Evangelista, e o de Junho, o de João, o Percursor do “Cordeiro que tira os pecados do mundo”, poderá ser a que ilumine sobre o que cabe aos judeus e aos portugueses na consumação escatológica. Lembremos o Apocalipse e a sua contínua referência ao Cordeiro, àquele cordeiro triunfante que maioritariamente embeleza os tímpanos das igrejas românicas portuguesas. O cordeiro místico que irradia glória e triunfo virá no meio das muralhas da Jerusalém Celeste, essa Ilha da vitória final, descida do céu, “bela como esposa que se ataviou para o seu esposo”, Ilha de Avalon que pode vestir-se de celta irrompendo do nevoeiro ou de verdes paradisíacos, qual Ilha do Amor sulcando o mar desde Camões até às luminosas interpretações na obra de António Telmo. O cordeiro “imolado” que ainda hoje persiste na tradição de banquete campestre da Páscoa portuguesa é judaico, mas também pertence aos ritos do Ramadão islâmico. As cidades do sul, o solstício de Junho, o cordeiro do percursor João Baptista, tudo aponta para um tempo de superior síntese das três religiões do Livro, para a manifestação do termo, do limite e do fim, para quando o sol se suspender e outra idade chegar. Sefarad ou Portugal, “Eis aqui, quase cume da cabeça / De Europa toda, o Reino Lusitano, / Onde a terra se acaba e o mar começa / E onde Febo repousa no Oceano”. Sefarad ou Portugal, eis a terra do limite, o Ocidente chegando ao sol eclíptico e suspenso a sul. A luz da luz.»

 

  Carlos Aurélio

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